sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Para Sempre Serão Dois

Era um tempo de revolução
Cem com mil vidas na mão
Era assim

E as ruas municipais
Lotadas de causas e ideais
Era, sim

Mas no meio dessa confusão
Havia espaço para o coração
Eram dois

Entre beijos a trocar
E promessas de fugir
Os olhares se encontraram
As mãos se tocaram
Era o amor nascendo ali

Estilhaços comandavam
As armas cantavam
Mas era o amor nascendo ali

Os corvos vieram de longe
Com honrarias e medalhas no peito
Jogaram a bomba
E voaram pro horizonte
Uma indiferença desse jeito

Lágrimas correram pelo rosto
Os corações dispararam
Olharam um para o outro
E finalmente se abraçaram

Ele, agora um soldado
Ela queria ter acordado
Mas tudo era real
Tudo era concreto
Nada era abstrato

Ali os nós se desataram
Os olhares se afastaram
As mãos não mais se tocaram

Menina, olhe para frente
Tudo será diferente
Aprenda a se libertar
A não mais chorar
Pegue suas asas
E aprenda a voar

O amor era pesado
Parecia amor de infância
E o tempo corria pelas veias
Lembrando da distância

Palavras românticas iam e vinham
Embrulhadas em papéis
Acompanhadas por versos singelos
E seus desejos fiéis

Como uma carta encoraja a mente
Escreviam um para o outro
O que não diziam pessoalmente:

A carta encoraja a alma
Encoraja a mim e a você
Escrevo nessas linhas
O que não consigo dizer

A garota lia
Com a emoção que a invadia
Pintando seus rostos
No branco de uma tela
Enquanto a mente dele exigia
Se lembrar do rosto dela

Poemas surgiam de seu coração
E de seu violão
Arrancava uma canção

Usava um tom
Ousava o tom
E voltava ao som clichê

Voltava ao tom
Ousava o som
Gritando “essa aqui é pra você!”

Ela agora lia
Coberta de alegria
Não era só uma carta
Era pura poesia

Mas acabaram as promessas
E as declarações
O garoto se encontrava
Entre tiros e explosões
Entre bombas e minas da terra
Entre gritos e ruídos de guerra

A aflição dominava
Controlava os espectadores
Que oravam pelos soldados
E por eles sentiam as dores

Para onde foi a magia?
Cadê aquela alegria?
Tudo havia acabado
A garota perde o seu amado
E é o fim do último ato

Os corvos voltaram
Com a mesma indiferença daquele jeito
Ainda jogaram bombas
E as medalhas continuaram no peito

Hoje a garota está cansada
Senhora bela e solitária
E o que passou será lembrado
É valioso o seu passado

Mas o coração não desiste
O antigo amor persiste
Ainda existe e existirá depois
A senhora está sozinha
Mas para sempre serão dois


Por Leandro Freire

Nenhum comentário: