domingo, 28 de dezembro de 2008

A Torre Negra II - A Escolha dos Três


Com linguagem mais simples e direta, "A Escolha dos Três", segundo volume da saga A Torre Negra é ainda melhor que "O Pistoleiro". Repleto de suspense e ação, o livro tem início menos de sete horas depois do fim do primeiro e introduz Roland em nosso mundo ao atravessar três portas que se encontram pela praia do Mar Ocidental (o que não foi nada fácil). Cada porta o leva para dentro da mente de uma pessoa em uma época diferente da cidade de Nova York, conhecendo aqueles que seguirão com ele (fazem parte de seu ka, seu destino).
O primeiro é Eddie Dean, um viciado em heroína do fim da década de 80, que está transportando cocaína em um avião para entregar a um chefe do crime organizado (Enrico Balazar). A segunda porta leva o pistoleiro ao início da década de 60, onde conhece Odetta Holmes, uma negra doce e gentil, deficiente física que luta pelos direitos civis e possui uma dupla personalidade chamada Detta Walker, mulher agressiva, cleptomaníaca e preconceituosa. Finalmente a terceira e última porta que transporta Roland para meados da década de 70, onde uma grande reviravolta acontece, dando um dos temas para o terceiro livro.
Então que venha "As Terras Devastadas"!


Por Leandro Freire

Efeito Kuleshov 5 - Obsoleto

É ano de 2029, vários andróides passam de um lado para outro, levando e trazendo tábuas, pintando, martelando. Tudo para construir uma linda casa já em seus estágios finais.
Longe dali um telão anuncia os produtos de uma indústria:

Agilidade e versatilidade! Essas são as palavras que conseguimos alcançar com os novos andróides das Indústrias Technoman.

Em outro lugar, andróides fazem centenas de relatórios em questão de minutos.

Nós confiamos em nossas criações e garantimos um trabalho bem feito. Faça como nosso grupo e avance no tempo. Sua empresa precisa de um Technoman!

Um homem passa por um corredor, acompanhado por dois guardas. Suas mãos estão presas por algemas holográficas.
Eles se aproximam de uma enorme bancada, onde se encontra um homem de meia idade, bem vestido e barba feita.
O lugar é pouco iluminado e completamente vazio, com certa atmosfera sombria.

- Pedro Vasquez Rabelo, de acordo com a nova lei, você foi condenado à morte por continuar prestando serviços após ser considerado obsoleto. O que tem a dizer em sua defesa?
- Eu não sou obsoleto.
- Não é? E o que o faz pensar em uma coisa dessas?
- Ainda presto serviços muito bem e posso provar que sou capaz de superar um andróide.

O homem ri com vontade enquanto levanta-se e se aproxima de Pedro.

- É uma pena que não tenha mais ninguém aqui além de nós para se divertir. Pedro, responda-me uma coisa: você era pedreiro, não era?
- Ainda sou.

Pedro é observado por alguns segundos pelo homem.

- Ainda é. Você sabe que os pedreiros e os funcionários de escritórios são os principais excluídos do círculo economicamente ativo justamente por serem substituídos por andróides, não sabe?
- Sei.

O homem caminha de um lado ao outro.

- E como pretende provar o que nos disse? Essa foi a coisa mais idiota que já ouvi em toda minha vida. Você não passa de um pedreiro de quinta categoria.
- Se acha que sou uma piada, do que tem medo?

O homem, sentindo-se desafiado, encara Pedro.

- Não tenho medo de nada! Apenas sei que isso é perda de tempo. Mas se é isso que realmente quer, vou lhe dar uma chance. Apenas uma. Se nos próximos cinco dias úteis não conseguir provar que é capaz de superar um andróide na prestação de serviços, será condenado à morte. Você aceita isso?

Pedro pensa por alguns longos segundos.

- Aceito.
- Ótimo! Isso será divertido. Podem tirá-lo daqui.

Os guardas o levam para fora do local.
No primeiro dia, Pedro constrói o primeiro de três muros de tijolos enquanto o andróide já passa para o terceiro. Algumas horas depois, o pedreiro termina finalmente o último muro.
Chega o segundo dia, e agora o andróide carrega seis toras de madeira ao mesmo tempo, enquanto Pedro puxa com dificuldade e muito esforço a primeira.
Passam-se os cinco dias e o pobre homem não agüenta mais de cansaço. Nunca havia trabalhado tanto em tão pouco tempo.

- Não agüento mais! Preciso descansar.

O andróide continua fazendo os serviços sem nenhum problema e com uma agilidade impressionante.
Pedro possui uma expressão de decepção e tristeza em seu rosto. Ele sabe que será condenado à morte.
E chega o momento, Pedro está novamente diante do homem bem vestido.

- Aproveitou bem seus cinco dias?

O pedreiro não diz nada.

- Nossa! O que houve com o Pedro desafiador e teimoso de antes?

O homem chega bem perto dele para falar.

- Já era para você estar na câmara de gás há muito tempo. Levem-no para a câmara!
- Não! Eu não sou obsoleto! Não façam isso comigo!
- Vai começar de novo com esse papo?
- Por favor! Eu não sou obsoleto! Não sou obsoleto!

Pedro se debate tentando soltar-se dos guardas, mas o esforço é em vão. Seu braço direito se desprende do corpo, expondo vários fios arrebentados, para a surpresa dos guardas e do homem.
- Mas o q...?
- Eu s... Eu sou...
- O transformem em sucata e joguem em um ferro-velho.

Pedro nem tenta mais se defender. Apenas é levado em silêncio pelo corredor enquanto o homem o observa sério.


As tentativas de Pedro de nada adiantaram. Ainda acreditava que poderia ser melhor que um andróide, mas não sabia que era um deles. Quando essa descoberta surgiu, ele teve a certeza de que realmente era obsoleto, e de todas as formas.
Não poderia escapar da câmara de gás de nenhuma maneira, pois, mesmo sendo uma incrível invenção tecnológica, não chegara aos pés daqueles seus semelhantes. O que só podia significar uma coisa: até para um andróide, ele era ultrapassado.
Pedro poderia ser levado à morte por simplesmente não conseguir superar as máquinas, mas nem ele e muito menos o homem que o condenou esperavam que isso se tratava de um... Efeito Kuleshov.


***


Por Leandro Freire

sábado, 20 de dezembro de 2008

Mais Vivo Do Que Nunca

Muitos ficaram chocados com a radical transformação na vida de Michael Jackson, sua conturbada vida também foi tema do post Três Vidas (Im)Perfeitas. Mas uma coisa ninguém pode negar: o Rei do Pop ainda é capaz de render belíssimos trabalhos musicais, seja pelo caminho clássico ou remixado. Um ótimo exemplo é o CD Thriller: 25 Aniversary, produzido por Will.I.Am, que também participa de duas músicas.
O disco é recheado de ótimas canções editadas (Beat It tem a participação de Fergie, Akon participa de Wanna Be Startin' e Kanye West faz um ótimo remix de Billie Jean), mas não esquece das clássicas como a própria Thiller e a linda Human Nature, que estão intactas, além de uma faixa inédita que foi gravada na época do disco original mas não foi lançada.
Mas não pára por aí! O CD também é unido a um DVD, que possui três clipes totalmente restaurados mais a premiada apresentação ao vivo de Billi Jean no especial "Motown 25".
Podemos afirmar que os 25 anos da canção dos mortos-vivos foram muito bem comemorados, mas quem ganhou o presente fomos nós.


Por Leandro Freire

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

A Torre Negra I - O Pistoleiro


Finalmente consegui o livro "O Pistoleiro", o primeiro da saga "A Torre Negra", de Stephen King (que demorou 33 anos para completar toda a série). E como o próprio autor diz, ele é meio exagerado nos advérbios e detalhes, o que para mim não tirou nem um pouco o encanto da história e sua narrativa.
Esse é bem fino comparado aos outros. Tem apenas 221 páginas, até porque Stephen o escreveu com apenas 19 anos e tem todos os defeitos de um livro escrito por um jovem (o autor também diz isso). Antes de iniciar a leitura eu até achei que seria algo pior da maneira que estava escrito no prefácio, mas eu simplesmente me encantei por tudo.
"O Pistoleiro" conta a história de Roland Deschain, o último pistoleiro, que sai em busca da Torre Negra (lugar que controla todo o tempo e espaço) para evitar que seu mundo continue "seguindo adiante" e se torne totalmente arruinado. Para isso ele persegue o misterioso Homem de Preto, que ele acredita possuir as respostas que o ajudarão a alcançar sua tão desejada Torre. Durante a jornada ele encontra as pessoas que fazem parte de seu ka (seu destino) e embarca em mundos que ele jamais sonhou existir, mas isso é apenas o começo. O primeiro de sete livros de uma série fantástica que mistura fantasia, ficção científica e terror.
Então que venha "A Escolha dos Três"!


Por Leandro Freire

sábado, 13 de dezembro de 2008

Aqui Também Se Come


Comer em restaurantes é a coisa mais comum desse mundo, mas em lugares como Rangali Island, nas Ilhas Maldivas (que está logo aí em cima) a comida fica em segundo plano.
Então vamos começar com esse exótico e belo lugar:

Ninguém duvida que é ótimo saborear uma deliciosa refeição olhando para o mar, certo? Agora vamos mais além, vamos para exatamente o fundo do mar. Até aí já podem perceber o quanto o lugar é diferente.
O restaurante é inteirinho dentro de um túnel submerso de 5 metros e apesar de só acomodar 14 pessoas, tudo é muito impressionante. Imaginem a sensação de comer observando cardumes e corais praticamente ao seu lado. Nem é preciso mencionar o que se encontra no cardápio.

***


"O que os olhos não vêem, o coração não sente". Essa frase começa a fazer mais sentido quando você se encontra em lugares como o Dans Le Noir. A primeira vista pode parecer uma área comum, mas aí se come em completa escuridão. Os criadores (Edouard de Brolie e Etienne Boisrond) acreditam que quando usamos outros sentidos ao invés da visão, a comida fica muito mais gostosa.
O restaurante possui filiais em Londres e Moscou e os clientes entram no local em fila indiana, guiados por funcionários cegos.

***


Para o final eu deixei o restaurante mais louco, onde refeições são servidas por um chef exclusivo a 22 pessoas sob um guindaste a 50 metros de altura. São 22 pessoas comendo a 50 metros de altura! Entenderam?
Essa é a propostoa do Dinner in The Sky, que não cuida apenas da parte alimentícia, pois também conta com casamentos (Marriage in The Sky), encontros sociais (Meeting in The Sky) e até apresentações artísticas (Showbizz in The Sky).
A empresa já possui filiais em várias partes do mundo, principalmente pela Europa. Mas não fiquem tristes, brasileiros, nosso país também está na mira. Copacabana foi o lugar escolhido para receber o curioso Dinner in The Sky. Quem sabe essa moda não se espalha por esse comprido chão verde e amarelo? Ou melhor: por esse comprido céu verde e amarelo.


Por Leandro Freire

Efeito Kuleshov 4 - Na Madrugada de Hoje

A geladeira se abre e uma mulher que aparenta ter uns 35 anos pega um jarro de suco de laranja e um copo de requeijão. Logo depois se senta à mesa e abre um pacote de torradas.
Ela toma seu café-da-manhã, sozinha, em silêncio. Silêncio que é quebrado por uma pancada na porta da sala.
A mulher levanta-se apressada e corre até a sala para ver o que houve. “Deve ser a entrega do jornal, está atrasada hoje”, pensou enquanto abria a porta e dava de cara com o jornal embrulhado em um saquinho plástico , caído em frente à sua porta.

- Finalmente!

Ela pega o jornal e o leva para a cozinha, onde continua tomando seu sossegado café enquanto folheia as páginas, procurando notícias importantes.
Na parte superior do jornal está a data do dia como 15 de agosto de 2008 e, a mulher parece estranhar ao ver aquilo.

- Quinze de agosto?

Ela olha em seu relógio e confere que a data é 14 de agosto.

- Esse jornal é de amanhã! Como isso é possível? A data pode ter sido impressa errada. Muita gente vai reclamar disso amanhã.

Algo vem à sua mente e ela resolve procurar pelo caderno de esportes. A matéria de capa é “Com participação apagada, Botafogo perde para o Náutico e fica mais perto do rebaixamento.”

- Esse... Esse jogo é hoje! Isso não está acontecendo, alguma coisa está errada. Como pode uma coisa dessas...

Ela vê no fim da página do jornal uma matéria sobre um acidente:

Estranho acidente
Um estranho acidente ocorreu na madrugada de hoje quando uma mulher identificada como Raphaela Pereira Santos foi morta ao ser atropelada por um ônibus...

A mulher parece em pânico, assustada.

- Sou eu! Essa sou eu!

Por que aquilo estaria acontecendo? Como é possível receber o jornal do dia seguinte e ainda anunciando sua morte?

- Só pode ser uma brincadeira de muito mau gosto! Alguém está fazendo isso comigo. Não, como alguém faria uma brincadeira dessa grandeza? Não conheço ninguém capaz disso.

Raphaela não pára de pensar no que pode ter acontecido. Aquilo era estranho demais para ser aceito assim como uma simples brincadeira.

- E se for tudo verdade? E se isso realmente acontecer? Eu... Eu vou morrer! Nada de pânico, nada de pânico. Aqui está dizendo que o acidente ocorrerá nessa madrugada. Basta apenas ficar em casa, deixar de ir à festa de hoje e tudo vai terminar bem. Então, está tudo bem. Eu ficarei bem.

O tempo passa e Raphaela nem sai de casa, paranóica com o que pode lhe acontecer.

- Não fui trabalhar, não fui ao mercado.

Ela olha o relógio, que marca 4 da tarde.

- Ainda falta muito. Respira fundo, você vai ficar bem. Eu não vou sair, não vou sair.

O relógio marca 11 da noite e o medo só cresce cada vez mais. Raphaela se encontra deitada no sofá, com os olhos arregalados e suando frio.
Os ponteiros agora mostram que são 3 da madrugada e Raphaela ainda não saiu do sofá, segurando o jornal.

- É isso, está tudo bem. Vou pra cama, dormir e esquecer isso. Não foi nada, não aconteceu nada.

Ela joga o jornal no chão, levanta-se devagar e caminha ainda assustada, para seu quarto.
Da sala só é possível ouvir o barulho estrondoso da parede se arrebentando e o ronco do motor de um ônibus que parece quebrar muita coisa.
No chão está o jornal com uma página virada, indicando que a matéria havia uma continuação:

Estranho acidente
Um estranho acidente ocorreu na madrugada de hoje quando uma mulher identificada como Raphaela Pereira Santos foi morta ao ser atropelada por um ônibus...

... Dentro de casa.


Por algum motivo Raphaela recebeu o jornal do dia seguinte, anunciando sua morte. Podemos dizer que uma força muito maior lhe ofereceu a chance de continuar vivendo e se não fosse seu medo e paranóia de morrer, nada disso teria acontecido.
Talvez fosse seu destino, sua morte só ocorrera porque soubera dela com antecedência e por esse motivo ficara em casa, esperando sair bem desse estranho ocorrido. Mas uma coisa é certa: quando estamos destinados à trilhar por um caminho, nada nos impedirá de seguir por ele, seja bom ou ruim.
Raphaela estaria viva se não lesse o jornal e seguisse normalmente com sua vida, mas tudo já estava programado para terminar como um... Efeito Kuleshov.



***

Por Leandro Freire

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Eu Querooooooo!!!

Aí está a coleção completa da mais ambiciosa obra de Stephen King, a série "A Torre Negra", dividida em sete livros.
Pretendo ter a coleção toda aqui em casa, então se alguém puder contribuir eu agradeço. Mas não se preocupem, pois também estou correndo atrás. E botarei aqui o comentário de cada livro que eu for lendo (se eu conseguir arranjar algum).
Agora já sabem o que me dar de Natal.


Por Leandro Freire

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

São Apenas...

Pensamentos ignorados em atmosferas caóticas
Atmosferas sufocantes e ásperas
Letras em lascas, em partes cínicas
As frases jogadas são apenas vítimas
Vazio sem sentido, de poesias rápidas
Rasgando versos simples, de poesias práticas
Agonia vestida em crônica totalmente anônima
Sujeita a atos falhos convertidos em atos cênicos

Sentimentos métricos, praticamente táticos
Entalhes e detalhes básicos, de universo lúdico
Musas inspiradoras ao avesso sádico

Surgindo em linhas de textos apáticos
Escondendo-se em páginas, por entre as vírgulas
Nas beiradas dos dedos de poetas vívidos
Tomando o amor em goles tímidos
Injetando em doses tétricas
Dominando a certeza de um mundo crítico
O
nde se encontram as mais belas músicas



Por Leandro Freire

sábado, 6 de dezembro de 2008

Efeito Kuleshov 3 - A Vida Perfeita

É por volta das 8 da noite quando o casal de crianças brinca de jogo da memória com a mãe na sala. A porta se abre e por ela passa um homem belo e moreno, com uma roupa social e uma pasta na mão direita.
Na mesma hora as crianças gritam “papai” animadas, levantam-se e o abraçam na altura da cintura. A garotinha pega a mão direita de seu pai e o puxa para perto do jogo no chão.

- Nós estamos brincando de jogo da memória. E eu estou ganhando!
- Isso é muito bom, filha!

O homem acaricia os lisos cabelos da filha e olha para o garoto.

- E você? Está indo bem no jogo?
- Só a mamãe está em último.

Uma boa risada sai da mulher sentada no chão.

- Estou perdendo feio!

O homem dá um beijo em sua esposa e senta-se ao lado dela.

- Mas isso não vai ficar assim por que também vou jogar.
- Aaaaeeewww!!!

É geral a animação na casa. As crianças vibram e embaralham as peças enquanto o homem e sua mulher se olham, sorrindo.

- Pode começar, papai.

A garotinha diz, empolgada.
Depois de passarem um bom tempo brincando com os filhos, o homem e sua esposa encontram-se deitados em sua cama, um acariciando o outro. O homem parece estar bem feliz.

- Todos os dias eu agradeço a Deus por ter me dado essa vida.
- Eu faço o mesmo a cada minuto.
- Você não sabe o quanto é importante pra mim, Amanda.
- Eu sei, sim. Por isso sou tão feliz.

Eles se beijam e sorriem.

- Boa noite.
- Boa noite.

O homem se vira para o outro lado, mas ainda continua de olhos abertos, pensativo. Lágrimas escorrem repentinamente por seu rosto até que não consegue segurar o choro. Amanda o ouve e vira-se preocupada.

- O que houve, Mauro? Por que está chorando?
- Não quero que isso acabe.
- Do que está falando?
- Não sei. Estou tão feliz, tudo está indo tão bem que tenho medo de que um dia isso acabe.
- Não fale assim! Isso nunca vai acabar. Muito pelo contrário: só vai ficar melhor a cada dia. Você não pode...

Mauro não entende o silêncio e olha para Amanda, vendo que ela está desaparecendo aos poucos.

- Não! Não tirem isso de mim!

Tudo à sua volta também começa a desaparecer.

- Não façam isso comigo! Não!

E finalmente tudo some, dando lugar a uma espaçosa sala com apenas uma mesa de aço em seu centro. É nela que Mauro se encontra deitado, chorando ainda mais.

- Por que tiraram isso de mim? Não podem fazer isso!

Do lado de fora da sala, um grupo de homens bem-vestidos assistem ao que se passa lá dentro através de uma comprida janela. Um dos homens veste trajes militares e conversa com um jovem de óculos.

- A experiência foi um sucesso, general! O programa de realidade virtual funciona tão bem que a cobaia realmente interagiu com os personagens, expressando suas emoções de forma natural.
- Isso é ótimo!
- Com mais algumas pesquisas poderemos transformar esse programa em uma nova tecnologia militar. Seria fácil confundir e enganar inimigos dessa forma.
- Simplesmente genial! Então, continue com suas pesquisas.
- Sim, senhor.

O general afasta-se da janela e caminha por um corredor enquanto mais um militar se aproxima.

- Mandou me chamar, senhor?
- Sim. Pegue outro prisioneiro para servir de cobaia para nossos testes.
- Mas esse prisioneiro foi voluntário, senhor.
- Sei disso. Mas dessa vez pegue um na marra. Isso é uma ordem!
- Sim, senhor!

É noite e chove bastante quando o general estaciona seu carro em frente à sua linda casa.
Ele entra e bota suas chaves em uma mesinha no canto da sala.

- Estou em casa!

Sua esposa desce as escadas e o recebe com um beijo.

- Como foi o teste com a nova tecnologia?
- Você sabe que não posso te contar essas coisas. Nem deveria estar sabendo dos testes.
- E teria coragem de esconder algo de sua esposa?
- Não é bem assim que as coisas acontecem, querida.
- Sei disso. Estava apenas te testando.

Os dois riem e se beijam novamente até tudo ao redor começar a sumir lentamente.

- O... O que está havendo?

Sua esposa e o local desaparecem como em um passe de mágica e o general agora se encontra também em uma sala espaçosa e usando um macacão branco.

- O que fizeram comigo? O que fizeram comigo?

Do lado de fora, o sujeito é observado por homens do mais alto escalão, todos de terno e gravata. Um militar se aproxima de um deles.

- Deu tudo certo, Senhor Presidente.


Um homem pode criar as maiores mentiras, mas nunca percebe quando está em uma. Nós sempre buscamos a vida perfeita e nem imaginamos o preço que podemos pagar ao consegui-la.
O suposto general usava prisioneiros como cobaias, brinquedos de um projeto científico e não foi capaz de enxergar a hierarquia que se formara ali. Ele foi a cobaia durante todo o tempo, e cobaia de homens muito mais poderosos. Todo o poder que pensava ter em mãos nunca existiu de verdade.
Mauro poderia ser sim um homem feliz se tudo aquilo não fosse parte de algo muito maior, uma pegadinha mental de proporções gigantescas que culminou em um... Efeito Kuleshov.



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Por Leandro Freire

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

É Outra Imagem


Kanye West é um cantor que sempre admirei e como todo cantor, possue sua época de mudança artística ou pessoal (pelo menos é o que eu acho). Ele é conhecido por suas músicas bem produzidas, sempre com um efeito a mais (coro ao fundo, vozes eletrônicas, piano, violino e outros detalhes).
Esse ano ele lançou um novo CD, entitulado "808s & Heartbreak", que pela primeira vez não teve o famoso ursinho na capa. Mas, infelizmente, essa não foi a única mudança: Kanye pareceu esquecer de todos os seus discos anteriores e simplesmente... Mudou. Fácil assim.
Nada de produções bacanas com vozes bacanas como em "Can't Tell Me Nothing", "Diamonds From Sierra Leone" ou "Trought The Wire". Há, sim, músicas legais no CD e "Say You Will" e "Love Lockdown" são bons exemplos. Mas fica aquela sensação de que está faltando alguma coisa.
Esse não é o Kanye que eu conheço, lembra um Chris Brown eletrônico e realmente seria se fosse mais animado. Todas as músicas, vejam bem, TODAS têm uma realidade triste e dolorosa, nada de muito energético como seus trabalhos anteriores. A gente acaba sentindo falta do estilo usado em "All Falls Down", "Heard 'Em Say" e entre outras canções maravilhosas que já fizeram parte da vida de West. Só espero que ele não passe a adotar esse novo estilo.
Já ouvi gente dizendo que esse é o seu melhor disco, mas eu sinceramente discordo. E é aí que entra o motivo da imagem que ilustra esse post: para mim o melhor CD foi "Graduation" (lançado em 2006), que nos apresentou as ótimas "Stronger", "Flashing Lights", "Good Life" e "Homecoming". Ele usou e abusou das técnicas de voz, dos belos refrões bem feitos e das batidas viciantes. Então essa é a imagem que vai representar essa crítica. Está certo que é meio estranho falar de um CD e mostrar outro, mas se Kanye resolveu exibir outra imagem eu também posso fazer isso.


Por Leandro Freire

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Supernova


Vocês lembram do post "Três Vidas (Im)Perfeitas"? É aquele onde falo do sucesso e do fracasso de três grandes astros: Michael Jackson, Britney Spears e Ronaldo.
Caso não lembrem, é só clicar aqui.

Fico feliz em anunciar que uma das estrelas se renovou e aos poucos recupera seu brilho da forma mais intensa do que nunca. A nossa estrela Britney Spears.
Não precisam descartar o que leram sobre ela, é até melhor que tudo seja destacado para verem o que a loirinha passou e conseguiu superar, deixou para trás.
Confesso que ficava imensamente triste com as notícias que não paravam de chegar sobre essa, que considero uma heroína. E a cada dia que passava, parecia que nada melhorava e eu já me perguntava o que diabos estava acontecendo e porque estava acontecendo.
Na segunda-feira (1 de dezembro) foi ao ar pelo canal Sony o documentário Britney: For The Record, onde ela pôs tudo em pratos limpos e falou sobre sua turbulenta época. Acho que o programa serviu como um colírio para fazer todos enxergarem o quanto ela é normal e quer apenas fazer o que gosta e viver sua vida.
Ok, ela errou também. Mas o erro faz parte do ser humano, isso é completamente normal e não podemos esquecer o quanto os fãs/imprensa/pessoas em geral erraram com ela. Em sua apresentação no VMA 2007 todos criticaram e falaram o quanto sua performance foi humilhante e tal (nem foi tanto assim). Alguém mencionou a coragem e fibra que ela teve ao subir no palco mesmo passando por aquele momento difícil, ao se apresentar para uma multidão mesmo sabendo que não poderia agradar (e infelizmente foi o que aconteceu)?
Por que apenas tentaram e ainda tentam ver o lado ruim das coisas? Tenho certeza que se alguém passasse metade do que ela passou não suportaria chegar onde agora ela chegou. Ela foi engatinhando de volta ao seu prestígio e merece reconhecimento por isso. O documentário nos mostrou o quanto ela ainda sofre com tudo isso, mas não deixa de seguir em frente com a cabeça lá em cima. Mostrou o quanto a vida dela é agitada e ao mesmo tempo uma chatice. Mostrou que ela não tem medo de dizer o que pensa e não liga para as opiniões alheias, ainda que desabafe sobre todas elas, o que qualquer um faria com esse enorme peso nas costas. Mostrou a pessoa maravilhosa que ela é, a pessoa que arranja espaço para o bom-humor mesmo sabendo que "as pessoas a ouvem, mas nunca escutam o que realmente quer dizer", sábias palavras da Britney. Mostrou o que ela veio tentando mostrar todo esse tempo: seu brilho jamais se apagou de verdade, apenas foi ofuscado pelas lentes das câmeras, pelas palavras impressas em pedaços de papel e pelas as que saíram das bocas da sociedade, que pintou sua imagem de vilã e a construiu de forma rebelde. Brtney Jean Spears já não é considerada por mim uma estrela, ela evoluiu (seu novo CD Circus é a prova disso) e se tornou a mais bela e exemplar supernova.


Por Leandro Freire

sábado, 29 de novembro de 2008

Efeito Kuleshov 2 - Estrada 17

O mapa mostra de forma detalhada as estradas, rodovias, linhas de ferro e entre outros itens existentes pela área. As delicadas mãos de uma bela mulher o afastam enquanto conversa com o homem ao seu lado, dirigindo o carro em que se encontram.

- Tenho certeza que já passamos por aqui!
- Não passamos! Você não confia em mim?
- Em você eu confio. É o mapa que não me
deixa segura.
- Eu sei que não estamos perdidos.
- Como pode ter tanta certeza?
- Há quanto tempo fazemos isso sem problema algum? E essa estrada é deserta, é tudo igual por aqui. Olhe ali!

Os últimos fios de luz do sol estão se escondendo e o carro passa por uma placa anunciando a “Estrada 17”.

- Viu? Estamos no caminho certo.
- Odeio quando está certo.
- Então não devia ter se casado comigo.
- O que quer dizer com isso?

O homem apenas sorri e pisca seu olho direito, ganhando um belo sorriso de sua mulher.

- Vamos comemorar!

Uma alta música de rock sai do rádio enquanto o homem dança sentado, ao mesmo tempo em que dirige.

- Desliga esse rádio, César! Vai acordar o Bruninho.

César olha para o banco de trás, onde repousa tranquilamente um garotinho loiro com seus olhinhos apertados e suas pequenas e brancas mãos sobre o pescoço.

- Desculpe, só quis animar a viagem.
- A sorte é que ele dorme como uma pedra.

Já é noite quando um homem jovem surge na lateral da estrada, pedindo carona com seu polegar levantado.

- Devemos parar?
- É claro, querida. Devemos sempre ajudar nossos semelhantes, não é?

César pára com o carro no canto da estrada e abre a porta traseira para que o homem entre. Estranho saber que um pai de família confia em alguém que acabara de ver em uma estrada e ainda o permite ficar no banco traseiro com seu filho ao lado.

- Muito obrigado por pararem!
- Qual o seu nome?
- Rogério.
- Muito prazer, Rogério. Essa aqui é a Helena e eu sou César.
- Apenas tome cuidado para não acordar o Bruninho.
- Sem problemas.

O estranho sujeito admira a criança por alguns segundos e depois volta a olhar para os dois da frente.

- Podem me deixar no Cemitério Camélia?

Helena olha para César como se também esperasse uma resposta.

- É claro.
- Obrigado.

O carro finalmente sai do lugar e segue seu caminho enquanto Helena está pensativa até que resolve falar.

- Desculpe perguntar, mas algum parente seu faleceu recentemente?

O estranho parece se incomodar um pouco com a pergunta, mas responde assim mesmo.

- Sim, uma tia minha estava viajando e depois nos ligaram falando que acharam o carro dela em um rio, mas o corpo está desaparecido. Nós fizemos um enterro simbólico.
- Onde ela estava?
- Na casa de uma amiga em Vassouras.

Helena está inquieta. Aquele homem não deveria estar no carro.
Ela olha para trás e vê o estranho observando o garoto dormindo. Por que olhar tanto para ele? Será que quer alguma coisa?
Ainda incomodada, Helena faz mais uma pergunta.

- Está há muito tempo pedindo carona?
- Sim, tive sorte de estarem passando por ali. Foi o primeiro carro que vi durante todo o tempo. Não sei por que a Estrada 17 é tão deserta.

O homem se ajeita no banco e Helena percebe que ele está armado, ficando paralisada de medo, sem nem ter condições para avisar ao seu marido.
Assustada, a mulher abre o porta-luvas e de lá tira papel e caneta. Ela escreve “ele está armado” e mostra disfarçadamente para César, que na mesma hora freia o carro bruscamente.

- O que houve? Por que paramos?

O estranho sujeito já bota a mão na arma.

- Nós sabemos que está armado.

César diz calmamente enquanto Helena olha para ele.
O homem nota que as mãos do garoto não estão mais sobre o pescoço e um grande corte está exposto, ficando desesperado.

- O que fizeram com...

Helena injeta algo no pescoço do homem, que cai inconsciente.
Escuridão total. Espaço apertado. Apenas o silêncio abafado de algo que parece ser o carro freando. O homem sente seu corpo imóvel, suas mãos e pernas estão amarradas e sua boca tapada com uma resistente fita crepe.
A escuridão some quando César abre o porta-malas do carro para pegar uma pá que está atrás do homem. Eles estão em um enorme terreno baldio com várias covas e César está cavando mais uma para botar o corpo do garoto.
O homem consegue ver mais um corpo no local.

- Hmmmm! Hmmmmmm!!!

E é o corpo de sua tia.

- Hmmmmmmm!!! Hmmmmmm!!!

Helena surge na sua frente.

- Não adianta gritar. Ninguém vai te ouvir. Quando falou da sua tia, lembramos da nossa passada em Vassouras naquele dia. Que coincidência, não é?

Ela se aproxima e sussurra em seu ouvido: deveria ter escondido melhor sua arma. Mas olhe pelo lado bom, agora você também vai ganhar um lugarzinho ao lado da tia.

- Hmmmmmmmmm!!!! Hmmmmm! Hmmmmmmmmmmm!!!



***
Nossos pais costumam dizer para não confiarmos em estranhos, mas aqui a regra virou do avesso. O estranho tornou-se a vítima. Vítima de seu próprio destino ao encontrar-se com as mesmas pessoas que haviam matado sua tia.
O que parecia um simples casal disposto a ajudar acabou se revelando como uma dupla de psicopatas que usa a imagem falsa de boas pessoas para atrair mais vítimas.
O estranho que pediu carona poderia ser muito bem o assassino, porém não neste caso onde tudo não passou de um... Efeito Kuleshov.


Por Leandro Freire

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Música Para os Olhos


Antes de iniciar oficialmente o post, quero deixar algo bem claro: eu odeio musicais. Mas não pensem que essa será uma crítica negativa. Não, longe disso. A carga dramática, surreal e ao mesmo tempo cultural nos envolve e surpreende.
Começando pelo brilhante e incrivelmente original roteiro de Julie Taymor: uma estória narrada (lê-se cantada) através de músicas dos Beatles.
Julie deu uma nova visão às canções. Chega a passar por nossas cabeças que os "Reis do Yê-yê-yê" já cantavam pensando no romântico conto dos jovens que se conhecem e se apaixonam no fim da década de 60, durante a Guerra do Vietnã.
A trama começa com o jovem Jude (Jim Sturgess) saindo de Liverpool e indo aos EUA para procurar seu pai. Lá ele conhece Lucy (Evan Rachel Wood) e os dois acabam se apaixonando. Tudo isso em meio ao clima de guerra, romance, protestos e psicodelia.
O filme conta com participações especiais, como Bono Vox e Salma Hayek, além de "brincar" com simbolismos representando artistas consagrados da época. Jimi Hendrix, Janis Joplin e os próprios Beatles aparecem indiretamente no filme, mas é possível sacar claramente as jogadas referenciais utilizadas.
Parece que tudo é uma bem elaborada peça teatral dividida em atos e cada ato possui suas músicas, tornando "Across The Universe" não só mais um filme musical, mas literalmente uma obra de arte.


Por Leandro Freire

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Humor é Coisa Séria - Parte 2


Primeiro post oficial no blog de cara nova! E para iniciar essa nova fase eu lhes apresento a segunda parte do "Humor é Coisa Séria". Dessa vez com algo das antigas: The Fresh Prince of Bel-Air (Um Maluco no Pedaço, como ficou conhecido aqui no Brasil).

A série surgiu em 1990 e foi até 1996, sendo exibida por aqui somente em 2000. Ela narra a história de um jovem rapaz que veio da periferia da Filadélfia para morar na casa dos tios em Bel-Air. É o típico adolescente pobre tentando se adaptar a um ambiente rico, mas tem como fatores de diferença o humor malandro criado por Will Smith (que interpreta um personagem de mesmo nome) e o lado emotivo de tudo (apesar dos engraçados acontecimentos, a família expressa seu carinho e amor diversas vezes).
Um dos ingredientes para o sucesso é a personalidade bem-humorada de Will e seu jeito excêntrico de ser, o que criou um contraste com seu primo Carlton Banks (interpretador por Alfonso Ribeiro), que era totalmente o oposto e mesmo assim conseguiu ser uma das coisas mais engraçadas da série. Mas com o passar do tempo, Carlton também foi mostrando seu lado mais louco e se tornou um show à parte (não podemos esquecer da sua famosa dancinha).
Outro destaque vai para o mordomo Geoffery (Joseph Marcell), que apesar de trabalhar para a família, muitas vezes era a voz da razão e não poupava palavras para muitas vezes zombar de seus patrões.
Com episódios e personagens variados e uma história bem contada através de muito humor e situações cômicas, já era de se esperar que o príncipe de Bel-Air faria muito sucesso.

Algumas frases da série:

Will - Jazz, lembra da mulher que estava comigo aqui?
Jazz - Putz! Tô tentando esquecer.

***

Will - "Entre jovem e saia um adulto"? Quanto tempo vou ficar aqui!?

***

Will - Ele não estava colando, acontece que ele sofre de... Esticadina Cérebro-Espinhal.


***

Carlton - O que o caramujo disse em cima da tartaruga?
Will - Eu não sei, Carlton.
Carlton - Weeeeeeeeeeeee!!! Ha ha ha ha ha!

E essa é a (comprida) abertura:


Por Leandro Freire

Caminhão da Mudança

Esse post é para informar que o blog está de mudança. É isso aí! Blog de cara nova!
A partir de hoje falarei sobre política e economia. Calma, é brincadeira! Tudo continuará como sempre foi, mas o visual realmente está diferente... se é que não perceberam.

Só mais uma coisa: agradecimentos ao meu amigo Márwio Câmara que criou o banner aí em cima. E o Márwio também tem blog: http://imprimirpalavras.blogspot.com/

O blog mudou, mas a vida continua. Então... "vâmo que vâmo" que o samba não pode parar!

Por Leandro Freire

sábado, 22 de novembro de 2008

Efeito Kuleshov 1 - Encontro Marcado

Um rapaz, na casa de seus 20 anos, está na frente de um espelho, terminando de se arrumar. Ele passa perfume com um enorme sorriso estampado em seu rosto.

- Hoje é o meu dia! Júlio, você se deu bem.

Ele chuta de leve acidentalmente uma caixa de sapatos perto da cama, mas nem liga muito para o ocorrido. Sai do quarto, desce as escadas, bem arrumado, pega o celular e o molho de chaves sobre a mesinha de centro da sala e sai.
Caminha pela calçada movimentada, já com o celular no ouvido, parecendo que acabara de ligar para alguém e está esperando alguma resposta. Ninguém atende. Ele pára no sinal junto com mais algumas pessoas e uma ambulância passa chamando atenção com sua sirene. Na mesma hora Júlio se pergunta o que poderia ter acontecido. O sinal finalmente fecha e todos atravessam para seguir seus caminhos paralelos ou entrarem no shopping, onde o rapaz pára para esperar alguém.
Olha pra um lado, olha para outro e parece não ver nenhum rosto conhecido.

- Ela disse que não costuma se atrasar. Já deveria estar aqui.

Vinte minutos se passam e nenhum sinal da tal pessoa.

- Não acredito! Ela me deu um bolo! Só pode ser isso.

Júlio tenta ligar mais uma vez e novamente ninguém atende.

- Que droga! Vou esperar, ela deve estar com algum problema.

Mais dez minutos e ninguém aparece. Aquela já devia ser a 14ª ligação e o pobre sujeito já está preocupado. Só não sabe se está preocupado com a garota com quem deveria encontrar ou com o fato do encontro não ter acontecido como o esperado.

- Era bom demais para ser verdade. É claro que uma garota linda daquela não ia querer nada comigo. Só vou tentar mais uma vez.

Ele nem teve o trabalho de tirar o celular de seu bolso, pois a preocupação não o deixou guardar novamente e depois da 11ª tentativa aquilo não parecia fazer muito sentido. O número é novamente discado como se o rapaz ainda buscasse a esperança de que discara para o número errado durante todo o tempo, mas seria impossível ligar 14 vezes para outra pessoa sem perceber.

- Atende. Atende, droga!

Em outro lugar, o celular sobre um criado-mudo toca insistentemente, mas não é atendido por ninguém. Ele continua tocando por mais algumas vezes enquanto na cama se encontra uma garota morta sobre o sangue espalhado pelo colchão branco.
Júlio perde a paciência e vai embora, guardando finalmente seu celular no bolso e atravessando a rua sem nem prestar atenção no sinal verde para os carros. Ele chega a casa, decepcionado, e corre para seu quarto já arrancando a roupa e ligando a TV.

- Que droga de vida! Tudo tem que dar errado.

Senta-se na cama com os olhos brilhando, mas só não chora porque parece querer provar a si mesmo que não é homem disso. Mas por que ficar tão triste por aquela garota? O que ela teria de especial? Como se não bastassem essas perguntas ecoando em sua mente, ele jura que já a namorou ou pelo menos teve algo com ela. Sabe que os dois nunca haviam nem se encontrado fora da universidade, mas aquilo persistia em sua cabeça.
Talvez tenha sido isso que o fez acreditar que o encontro seria perfeito, que os dois voltariam tarde da noite para suas casas ou nem voltariam, indo direto para um motel. Ele nunca teve tanta certeza de como um encontro seria bom e estava errado. Ela nem se quer havia aparecido.
Algo na TV chama sua atenção. Uma matéria ao vivo sobre duas pessoas encontradas mortas em um quarto. A polícia suspeita de assassinato seguido de suicídio, mas a arma do crime não fora encontrada. Nesse momento ele arregala os olhos:
A polícia e paramédicos se encontram na casa da garota, ela está morta na cama e logo ao seu lado está Júlio, também morto.
Júlio, agora muito assustado, olha para a caixa que havia chutado acidentalmente e se aproxima com medo, abre e encontra uma arma. Ele mal consegue acreditar no que está vendo.

***
Tudo fez sentido naquele momento. Júlio se lembrava da garota porque realmente teve um caso com ela, os dois já haviam se encontrado anteriormente e desse encontro surgiu um trágico fim. Por algum motivo, Júlio a matou e depois cometeu suicídio, mas sua alma havia levado a arma do crime para casa na esperança inconsciente de que pudesse começar tudo de novo. Ele não se lembrava disso, mas a matéria na TV foi a última peça desse quebra-cabeça.
Poderiam imaginar que a garota foi morta por outra pessoa e por isso não foi ao encontro, porém tudo era muito mais complexo e não passou de um... Efeito Kuleshov.



Por Leandro Freire

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Skola

É cada vez mais comum o consumo de álcool na adolescência e esse problema só aumenta com os bares, lanchonetes e pastelarias "do china" que ficam próximos de colégios e universidades. Esses ambientes acabam se tornando pontos de encontro antes ou/e depois das aulas. Sem contar com as festas escolares, onde a venda de bebidas alcólicas é muito grande.
Com todas essas opções para encher o copo, parece que só proibindo a venda mesmo. Isso já anda acontecendo dentro das instituições de ensino, o que já evita o contato de crianças e adolescentes com a loira gelada ou seja lá qual for a cor. Mas do lado de fora as coisas não são bem assim: passando do portão e pisando na calçada, as possibilidades de encontro com o álcool são altíssimas.
Está na hora de gritar "CARETAAAAAAAAAAA!!!" e sair do blog ou... Continue lendo, eu agradeço.

Se chegou até aqui, vamos continuar:

[...] as possibilidades de encontro com o álcool são altíssimas e aí voltamos ao início do post, falando dos bares, lanchonetes e pastelarias "do china" que existem pelas redondezas.
Ano passado (2007, pra quem está perdido no tempo de tanto beber) foi feita uma pesquisa pela Secretaria Nacional Antidrogas para saber o número de jovens que frequentam os bares. O resultado mostrou que adolescentes entre 14 e 17 anos já consumiram bebidas alcólicas em excesso, sendo que 21% é do sexo masculino e 11% do sexo feminino.

E nesse momento eu me pergunto: será que postei isso só porque eu não bebo?


Por Leandro Freire

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

LEGal!


Mais uma dica do mundo virtual: o site The Toy Zone recriou as capas dos 20 discos mais famosos usando LEGO.
Uma coisa temos que confessar: idéias tão originais quanto essa só surgem durante a famosa "falta do que fazer". Na hora pode parecer um absurdo, mas que depois ver o resultado vale a pena... Aaah vale!

O link está aí para quem quizer conferir: http://www.thetoyzone.com/20-album-covers-recreated-in-lego/

E a versão original da capa está aí embaixo (com direito a essa moldura branca que não consegui tirar):


Por Leandro Freire

sábado, 15 de novembro de 2008

Vem aí: Efeito Kuleshov

Próximo sábado estréia por aqui uma série de contos feitos por mim. Eles são independentes entre si, mas todos possuem uma dose de suspense, mistério e um fim surpreendente (pelo menos é o que espero).
Os contos seguem um estilo parecido com o da clássica série "Além da Imaginação" (The Twilight Zone) e para começar teremos o episódio "Encontro Marcado".

Ah! Só uma pequena curiosidade: Efeito Kuleshov é um termo cinematográfico para a sugestão através de montagem. É quando o filme sugere algo através de uma cena, mas quando se forma o conjunto o espectador percebe que na verdade era algo bem diferente do imaginado.

Até semana que vem!


Por Leandro Freire

Maroon 5... 4... 3... 2... 1... Aaaeeww!!!


Na sexta-feira (07/11) foi realizado o show do grupo Maroon 5 na HSBC Arena, na Barra, e felizmente eu estava lá para conferir isso de perto! A palavra "perto" fez ainda mais sentido na hora. Eles apresentaram antigos sucessos como "This Love" (música que abriu o show), "She Will Be Loved" e "Sunday Morning", além dos singles do novo CD: "I Won't Go Home Without You", "Wake Up Call", "If I Never See Your Face Again" e "Makes Me Wonder". Pena que não cantaram "Goodnight Goodnight" e "Kiwi".
Mas foi um ótimo show, acompanhado por aquela sensação estranha de estar vendo de perto os responsáveis por um trabalho que acompanho desde o início, quando "This Love" estourava nas rádios como a novidade do mundo musical. A ficha só caiu depois quando o show estava prestes a começar e foi um daqueles momentos "caramba, eu estou mesmo aqui?". O coração disparava, acompanhando as batidas aceleradas da bateria em algumas músicas.
No dia seguinte a ficha ainda estava caindo e uma hora ou outra eu era pego falando "o Maroon 5 estava lá!". É claro que não poderia deixar essa noite passar em branco, então aí embaixo estão algumas fotos minhas e de outras pessoas que estavam comigo:




Por Leandro Freire

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Para Sempre Serão Dois

Era um tempo de revolução
Cem com mil vidas na mão
Era assim

E as ruas municipais
Lotadas de causas e ideais
Era, sim

Mas no meio dessa confusão
Havia espaço para o coração
Eram dois

Entre beijos a trocar
E promessas de fugir
Os olhares se encontraram
As mãos se tocaram
Era o amor nascendo ali

Estilhaços comandavam
As armas cantavam
Mas era o amor nascendo ali

Os corvos vieram de longe
Com honrarias e medalhas no peito
Jogaram a bomba
E voaram pro horizonte
Uma indiferença desse jeito

Lágrimas correram pelo rosto
Os corações dispararam
Olharam um para o outro
E finalmente se abraçaram

Ele, agora um soldado
Ela queria ter acordado
Mas tudo era real
Tudo era concreto
Nada era abstrato

Ali os nós se desataram
Os olhares se afastaram
As mãos não mais se tocaram

Menina, olhe para frente
Tudo será diferente
Aprenda a se libertar
A não mais chorar
Pegue suas asas
E aprenda a voar

O amor era pesado
Parecia amor de infância
E o tempo corria pelas veias
Lembrando da distância

Palavras românticas iam e vinham
Embrulhadas em papéis
Acompanhadas por versos singelos
E seus desejos fiéis

Como uma carta encoraja a mente
Escreviam um para o outro
O que não diziam pessoalmente:

A carta encoraja a alma
Encoraja a mim e a você
Escrevo nessas linhas
O que não consigo dizer

A garota lia
Com a emoção que a invadia
Pintando seus rostos
No branco de uma tela
Enquanto a mente dele exigia
Se lembrar do rosto dela

Poemas surgiam de seu coração
E de seu violão
Arrancava uma canção

Usava um tom
Ousava o tom
E voltava ao som clichê

Voltava ao tom
Ousava o som
Gritando “essa aqui é pra você!”

Ela agora lia
Coberta de alegria
Não era só uma carta
Era pura poesia

Mas acabaram as promessas
E as declarações
O garoto se encontrava
Entre tiros e explosões
Entre bombas e minas da terra
Entre gritos e ruídos de guerra

A aflição dominava
Controlava os espectadores
Que oravam pelos soldados
E por eles sentiam as dores

Para onde foi a magia?
Cadê aquela alegria?
Tudo havia acabado
A garota perde o seu amado
E é o fim do último ato

Os corvos voltaram
Com a mesma indiferença daquele jeito
Ainda jogaram bombas
E as medalhas continuaram no peito

Hoje a garota está cansada
Senhora bela e solitária
E o que passou será lembrado
É valioso o seu passado

Mas o coração não desiste
O antigo amor persiste
Ainda existe e existirá depois
A senhora está sozinha
Mas para sempre serão dois


Por Leandro Freire

Qual a Sua Realidade?


Após anos e anos sem postar (é, estou exagerando mesmo), finalmente surge uma luz no fim do túnel: a luz do meu PC que há tempos não via acesa ; )
Mas enfim... Já voltei trazendo uma coisa bacana: um site coreano teve uma iniciativa muito legal ao transformar desenhos de crianças em imagens surreais. O projeto se chama "Wonderland" e foi produzido em 2005, mas eu juro que não escondi de vocês, apenas tomei conhecimento agora.
As imagens são feitas exatamente como o desenho ou apenas mostram a interpretação do artista (a imagem que ilustra esse post se chama Miss Sparkle Sprinkles the Magic). Vale a pena conferir os outros trabalhos no site: http://www.yeondoojung.com/artworks_view_wonderland.php?no=88
Fica aí a dica, galera! Percebam que não importa a idade, há sempre uma oportunidade para se viver uma outra realidade. E agora eu pergunto: qual é a sua?
Outra coisa: perceberam como esse texto tem tudo a ver com "idade"? oO


Por Leandro Freire

sábado, 6 de setembro de 2008

Humor é Coisa Séria - Parte 1


Aaah, o humor. O que seríamos sem ele?
Para entrar ainda mais nesse assunto que começou aí embaixo, vamos dar uma olhada na série que está aí em cima.

Two and a Half Men (Dois Homens e Meio) é uma cultuada sitcon americana que conta a história de Charlie Harper (Charlie Sheen), um boa-vida que vê seu paraíso arruinado quando seu irmão Alan (Jon Cryer) vai morar em sua casa depois de um divórcio e ainda leva seu filho de 10 anos, Jake (Angus T. Jones).
A série é transbordada de sarcasmo e ironia, além de tiradas repentinas (sejam inteligentes ou só debochadas) como "o pacote básico da TV à cabo? Mas isso é o que assistem na prisão" ou "o espetinho de carne vai durar mais do que as meias".
Talvez a fórmula para seu enorme sucesso seja exatamente o tipo de humor aplicado, as alfinetadas no casamento, as referências ao sexo da maneira mais engraçada possível e as críticas muitas vezes implícitas, além de algumas doses de autodepreciação por parte de Alan, que é um dos pontos fortes do programa. Enfim... Vejam sem compromisso, apenas por pura diversão e amor ao seu bom humor.


Um diálogo que eu adoro:

Alan- Eu não posso fazer isso, Charlie.

Charlie- É claro que pode, eu vou te ajudar.


Alan- Como?


Charlie- Sei lá, dizendo coisas como "é claro que pode, eu vou te ajudar."


Outro:

Charlie- Não quero mais isso, Alan. Eu desisto!

Alan- Não se desiste da pobreza.

Charlie- Eu quero um queijo que não seja distribuído em países do terceiro mundo, um papel higiênico indolor e uma vodka que não pareça com a do Fred Flinstone

Alan- Está na hora de deixar o orgulho de lado e pedir dinheiro à nossa mãe.

Charlie- Yabba-dabba-doo!



Contemplem a abertura da série com essa viciante musiquinha:



Por Leandro Freire

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

rss, hehehe, kkk


Não, o post não é sobre risadas mas o que as provocam. De acordo com o livro A Psicologia do Humor, existem quatro maneiras diferentes de fazer aquela boa e velha gargalhada surgir na atmosfera:

Humor corrosivo - É o que usa críticas e provocações através do sarcasmo.

Agregador - São as tiradas que surgem de repente para quebrar uma tensão e estimula a convivência social.

Autodepreciativo - Utiliza os próprios defeitos para a diversão alheia.

Otimista - Enxerga as coisas boas da vida e tapa os olhos para os problemas cotidianos, rindo dos mesmos.

E aí? Qual o seu tipo de humor? Na verdade cada um tem um pouco de todos, mas acho que eu tenho uma forte tendência a ir para o lado do humor agregador.



Por Leandro Freire

Obs: algumas informações foram extraídas do "
Cantinho do Jota" .

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Um Beijing Pro Meu Pai, Minha Mãe e Especialmente Pra Você

Caramba, faz tempo que não passo por aqui. O que tenho feito, afinal?
Bom... Isso não vem ao caso no momento.

E já que acabamos de sair de uma Olimpíada e dessa confusão de nomes "Pequim/Beijing", não há coisa melhor do que falar um pouco mais desse grandioso e belo evento. Mesmo que a cerimônia de abertura não tenha sido lá muito sincera conosco, vale dar uma volta (olímpica) pelas Olimpíadas passadas, conferir a atual na China e tentar encontrar juntos um motivo para essa.. anh... colocação brasileria no quadro de medalhas (51 de ouro da China contra 3 do Brasil, será que vão perceber a diferença?).
Só uma pequena observação: antes que alguém pergunte se o título desse post tem algo a ver com aquela frase clichê dita em todos os programas da Xuxa, eu já respondo "não". É apenas uma maneira (minha) de dizer que as Olimpíadas são para todos e... Ah! Vamos ao que interessa!

Olimpíadas Passadas

01- 1896 (Antenas)
02- 1900 (Paris)
03- 1904 (Saint Louis)
04- 1908 (Londres)
05- 1912 (Estocolmo)
06- 1920 (Antuérpia)
07- 1924 (Paris)
08- 1928 (Amsterdã)
09- 1932 (Los Angeles)
10- 1936 (Berlim)
11- 1948 (Londres)
12- 1952 (Helsinque)
13- 1956 (Melbourne)
14- 1960 (Roma)
15- 1964 (Tóquio)
16- 1968 (México)
17- 1972 (Munique)
18- 1976 (Montreal)
19- 1980 (Moscou)
20- 1984 (Los Angeles)
21- 1988 (Seul)
22- 1992 (Barcelona)
23- 1996 (Atlanta)
24- 2000 (Sydney)
25- 2004 (Atenas)
26- 2008 (Chegamos em Beijing!)

Agora é a Atual

Estamos finalmente na China, país da superpopulação e do espetinho de escorpião. País da Grande Muralha, do Mar Amarelo, dos ursos pandas e seus deliciosos bambus. País da Dinastia Shyng e dos Dez Reinos Myng (tá, isso eu inventei). É por essas bandas que aconteceu a atual Olimpíada, que foi dominada pelos conterrâneos, seguidos pelos (adivinha) americanos.

Enquanto chineses, americanos e ingleses se engalfinhavam nos três primeiros lugares, os queridos brasileiros terminaram em uma posição não tão favorável: a cadeira de número 23.

Alguém aí tem uma solução para esse mistério que envolve uma colocação brasileira tão distante (nem vou mencionar a derrota para a Argentina no futebol masculino ou para os EUA na final do vôlei... masculino)? Ninguém arrisca?


Se ninguém tenta um palpite, quem sou eu para tentar? Nem sempre podemos ganhar todas, mas uma coisa é certa: garra e atitude não faltou. Foi clara a vontade de ganhar, a alegria quando ganhavam e a raiva/tristeza durante a derrota.

Sejam perdendo ou saindo campeões, nunca podemos duvidar da maior vitória de todas: sermos brasileiros (olha que bonito isso ^^).

Daqui há quatro anos tentamos de novo...


Por Leandro Freire

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Cidade... Maravilhosa?

RIO...











...MAS TAMBÉM CHORO

Por Leandro Freire

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Um Minuto de Silêncio Para Sete Meses de Alegria


Esse post deveria estar aqui já há um bom tempo, mas sempre ia adiando e a internet não ajudou muito.
No dia 10 de Julho a Rede Globo exibiu uma homenagem ao saudoso grupo Mamonas Assassinas no programa Por Toda Minha Vida. Após a exibição pensei "tenho que fazer um post sobre eles".

Tudo começou com Sérgio Reoli e Bento Hinoto em 1989 e logo após vieram Samuel Reoli (irmão de Sérgio) e Júlio Rasec. Os quatro formaram o grupo Utopia, fazendo covers de bandas como Legião Urbana.
Em um dos shows, o público pediu uma música dos Guns N'Roses, mas não sabiam a letra e pediram a ajuda de algum voluntário. Dinho foi esse voluntário e subiu ao palco, conquistando a todos com seu jeito palhaço, sendo aceito até pelo grupo.
A Utopia passou a se apresentar nas periferias de São Paulo e lançaram um CD, tendo menos de 100 cópias vendidas. 
Com o tempo os cinco perceberam que as músicas escrachadas e as palhaçadas eram bem mais aceitas pelo público. Começaram o processo de mudança do perfil da banda e o nome foi o primeiro ítem, passando a se chamar Mamonas Assassinas (a palavra "mamonas" é uma referência a "seios", tendo assim a tradução para inglês como The Big Killer Breasts, peitões assassinos).
Pelados em Santos e Robocop Gay eram as músicas inseridas na fita demo que mandaram para várias gravadoras, mas foi o diretor artístico da EMI, João Augusto Soares que assinou o contrato com a banda depois da insistência de seu filho Rafael. O sucesso foi estrondoso e logo no seu primeiro CD conseguiram vender mais de 2,3 milhões de cópias.
Após seu lançamento, os cinco saíram em uma grande turnê pelo país, apresentando-se em 25 dos 27 estados brasileiros. Ainda pretendiam seguir uma carreira internacional viajando para Portugal no dia 3 de março de 1996, mas um dia antes, enquanto voltavam de um show em Brasília, a aeronave em que estavam chocou-se contra a Serra da Cantareira, em São Paulo, às 23:16, matando todos os integrantes do grupo, além do piloto, co-piloto e dois assistentes da banda.

O humor musical e a irreverência poética fizeram dos Mamonas um dos grupos mais queridos do Brasil e em suas curtas carreiras de apenas sete meses, conseguiram nomear os sorrisos que se estampavam no rosto dos fãs enquanto escutavam a cada minuto que se passava de suas canções. A alegria tem nome e se chama Mamonas Assassinas.

Dinho no vocal
Júlio Rasec no teclado
Samuel Reoli no baixo
Sérgio Reoli na bateria
Bento Hinoto na guitarra

Por Leandro Freire

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Fantasia Falida

Acabei de fazer esse texto e resolvi postar aqui para aproveitar o assunto do post anterior:

Conto mal feito, distorcido, impossível de ser lido.
Linha torta e pouco espaço pra mostrar o que faz sentido.
Texto simples, reescrito, abrindo nossa mente.
Atingindo e resumindo minha história incopetente.

Vivi, expressei, amei, inventei a poesia.
Exagerei e decepcionei minha auto-biografia.
Fantasiei, sonhei e imaginei de olhos abertos.
Invadi e misturei abstratos e concretos.
Dormi e relaxei sem perceber o que passava.
Acordei e superei as armadilhas da palavra.

São versos recitados das idéias que não tenho.
São reis derrotados da origem de onde venho.
Teorias recriadas da farsa e a humilhação.
As bruxas são caçadas e as fadas, em extinção.

Segredos e sigilos são mentiras que eu abrigo.
Beijos e conflitos são verdades que eu ganho.
Escrevi sem cuidado sobre o dom do livre arbítrio.
Ouça bem aos que lhe dizem: sua vida é um livro estranho.

Feito de imagens e alegorias, de herói falso e vagabundo.
Uso tristezas e alegrias para rabiscar um novo mundo.
Mundo incompleto e inconsciente de sua própria existência.
A fantasia era da gente, mas declarou sua falência.


Por Leandro Freire