
domingo, 28 de dezembro de 2008
A Torre Negra II - A Escolha dos Três

Efeito Kuleshov 5 - Obsoleto
É ano de 2029, vários andróides passam de um lado para outro, levando e trazendo tábuas, pintando, martelando. Tudo para construir uma linda casa já em seus estágios finais.Longe dali um telão anuncia os produtos de uma indústria:
Agilidade e versatilidade! Essas são as palavras que conseguimos alcançar com os novos andróides das Indústrias Technoman.
Em outro lugar, andróides fazem centenas de relatórios em questão de minutos.
Nós confiamos em nossas criações e garantimos um trabalho bem feito. Faça como nosso grupo e avance no tempo. Sua empresa precisa de um Technoman!
Um homem passa por um corredor, acompanhado por dois guardas. Suas mãos estão presas por algemas holográficas.
Eles se aproximam de uma enorme bancada, onde se encontra um homem de meia idade, bem vestido e barba feita.
O lugar é pouco iluminado e completamente vazio, com certa atmosfera sombria.
- Pedro Vasquez Rabelo, de acordo com a nova lei, você foi condenado à morte por continuar prestando serviços após ser considerado obsoleto. O que tem a dizer em sua defesa?
- Eu não sou obsoleto.
- Não é? E o que o faz pensar em uma coisa dessas?
- Ainda presto serviços muito bem e posso provar que sou capaz de superar um andróide.
O homem ri com vontade enquanto levanta-se e se aproxima de Pedro.
- É uma pena que não tenha mais ninguém aqui além de nós para se divertir. Pedro, responda-me uma coisa: você era pedreiro, não era?
- Ainda sou.
Pedro é observado por alguns segundos pelo homem.
- Ainda é. Você sabe que os pedreiros e os funcionários de escritórios são os principais excluídos do círculo economicamente ativo justamente por serem substituídos por andróides, não sabe?
- Sei.
O homem caminha de um lado ao outro.
- E como pretende provar o que nos disse? Essa foi a coisa mais idiota que já ouvi em toda minha vida. Você não passa de um pedreiro de quinta categoria.
- Se acha que sou uma piada, do que tem medo?
O homem, sentindo-se desafiado, encara Pedro.
- Não tenho medo de nada! Apenas sei que isso é perda de tempo. Mas se é isso que realmente quer, vou lhe dar uma chance. Apenas uma. Se nos próximos cinco dias úteis não conseguir provar que é capaz de superar um andróide na prestação de serviços, será condenado à morte. Você aceita isso?
Pedro pensa por alguns longos segundos.
- Aceito.
- Ótimo! Isso será divertido. Podem tirá-lo daqui.
Os guardas o levam para fora do local.
No primeiro dia, Pedro constrói o primeiro de três muros de tijolos enquanto o andróide já passa para o terceiro. Algumas horas depois, o pedreiro termina finalmente o último muro.
Chega o segundo dia, e agora o andróide carrega seis toras de madeira ao mesmo tempo, enquanto Pedro puxa com dificuldade e muito esforço a primeira.
Passam-se os cinco dias e o pobre homem não agüenta mais de cansaço. Nunca havia trabalhado tanto em tão pouco tempo.
- Não agüento mais! Preciso descansar.
O andróide continua fazendo os serviços sem nenhum problema e com uma agilidade impressionante.
Pedro possui uma expressão de decepção e tristeza em seu rosto. Ele sabe que será condenado à morte.
E chega o momento, Pedro está novamente diante do homem bem vestido.
- Aproveitou bem seus cinco dias?
- Nossa! O que houve com o Pedro desafiador e teimoso de antes?
O homem chega bem perto dele para falar.
- Já era para você estar na câmara de gás há muito tempo. Levem-no para a câmara!
- Não! Eu não sou obsoleto! Não façam isso comigo!
- Vai começar de novo com esse papo?
- Por favor! Eu não sou obsoleto! Não sou obsoleto!
Pedro se debate tentando soltar-se dos guardas, mas o esforço é em vão. Seu braço direito se desprende do corpo, expondo vários fios arrebentados, para a surpresa dos guardas e do homem.
- Mas o q...?
- Eu s... Eu sou...
- O transformem em sucata e joguem em um ferro-velho.
Pedro nem tenta mais se defender. Apenas é levado em silêncio pelo corredor enquanto o homem o observa sério.
As tentativas de Pedro de nada adiantaram. Ainda acreditava que poderia ser melhor que um andróide, mas não sabia que era um deles. Quando essa descoberta surgiu, ele teve a certeza de que realmente era obsoleto, e de todas as formas.
Não poderia escapar da câmara de gás de nenhuma maneira, pois, mesmo sendo uma incrível invenção tecnológica, não chegara aos pés daqueles seus semelhantes. O que só podia significar uma coisa: até para um andróide, ele era ultrapassado.
Pedro poderia ser levado à morte por simplesmente não conseguir superar as máquinas, mas nem ele e muito menos o homem que o condenou esperavam que isso se tratava de um... Efeito Kuleshov.
***
sábado, 20 de dezembro de 2008
Mais Vivo Do Que Nunca
Por Leandro Freire
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
A Torre Negra I - O Pistoleiro

sábado, 13 de dezembro de 2008
Aqui Também Se Come



Para o final eu deixei o restaurante mais louco, onde refeições são servidas por um chef exclusivo a 22 pessoas sob um guindaste a 50 metros de altura. São 22 pessoas comendo a 50 metros de altura! Entenderam?
Essa é a propostoa do Dinner in The Sky, que não cuida apenas da parte alimentícia, pois também conta com casamentos (Marriage in The Sky), encontros sociais (Meeting in The Sky) e até apresentações artísticas (Showbizz in The Sky).
Por Leandro Freire
Efeito Kuleshov 4 - Na Madrugada de Hoje
Ela toma seu café-da-manhã, sozinha, em silêncio. Silêncio que é quebrado por uma pancada na porta da sala.
A mulher levanta-se apressada e corre até a sala para ver o que houve. “Deve ser a entrega do jornal, está atrasada hoje”, pensou enquanto abria a porta e dava de cara com o jornal embrulhado em um saquinho plástico , caído em frente à sua porta.
- Finalmente!
Ela pega o jornal e o leva para a cozinha, onde continua tomando seu sossegado café enquanto folheia as páginas, procurando notícias importantes.
Na parte superior do jornal está a data do dia como 15 de agosto de 2008 e, a mulher parece estranhar ao ver aquilo.
- Quinze de agosto?
Ela olha em seu relógio e confere que a data é 14 de agosto.
- Esse jornal é de amanhã! Como isso é possível? A data pode ter sido impressa errada. Muita gente vai reclamar disso amanhã.
Algo vem à sua mente e ela resolve procurar pelo caderno de esportes. A matéria de capa é “Com participação apagada, Botafogo perde para o Náutico e fica mais perto do rebaixamento.”
- Esse... Esse jogo é hoje! Isso não está acontecendo, alguma coisa está errada. Como pode uma coisa dessas...
Ela vê no fim da página do jornal uma matéria sobre um acidente:
Estranho acidente
Um estranho acidente ocorreu na madrugada de hoje quando uma mulher identificada como Raphaela Pereira Santos foi morta ao ser atropelada por um ônibus...
A mulher parece em pânico, assustada.
- Sou eu! Essa sou eu!
Por que aquilo estaria acontecendo? Como é possível receber o jornal do dia seguinte e ainda anunciando sua morte?
- Só pode ser uma brincadeira de muito mau gosto! Alguém está fazendo isso comigo. Não, como alguém faria uma brincadeira dessa grandeza? Não conheço ninguém capaz disso.
Raphaela não pára de pensar no que pode ter acontecido. Aquilo era estranho demais para ser aceito assim como uma simples brincadeira.
- E se for tudo verdade? E se isso realmente acontecer? Eu... Eu vou morrer! Nada de pânico, nada de pânico. Aqui está dizendo que o acidente ocorrerá nessa madrugada. Basta apenas ficar em casa, deixar de ir à festa de hoje e tudo vai terminar bem. Então, está tudo bem. Eu ficarei bem.
O tempo passa e Raphaela nem sai de casa, paranóica com o que pode lhe acontecer.
- Não fui trabalhar, não fui ao mercado.
Ela olha o relógio, que marca 4 da tarde.
- Ainda falta muito. Respira fundo, você vai ficar bem. Eu não vou sair, não vou sair.
O relógio marca 11 da noite e o medo só cresce cada vez mais. Raphaela se encontra deitada no sofá, com os olhos arregalados e suando frio.
Os ponteiros agora mostram que são 3 da madrugada e Raphaela ainda não saiu do sofá, segurando o jornal.
- É isso, está tudo bem. Vou pra cama, dormir e esquecer isso. Não foi nada, não aconteceu nada.
Ela joga o jornal no chão, levanta-se devagar e caminha ainda assustada, para seu quarto.
Da sala só é possível ouvir o barulho estrondoso da parede se arrebentando e o ronco do motor de um ônibus que parece quebrar muita coisa.
No chão está o jornal com uma página virada, indicando que a matéria havia uma continuação:
Estranho acidente
Um estranho acidente ocorreu na madrugada de hoje quando uma mulher identificada como Raphaela Pereira Santos foi morta ao ser atropelada por um ônibus...
... Dentro de casa.
Por algum motivo Raphaela recebeu o jornal do dia seguinte, anunciando sua morte. Podemos dizer que uma força muito maior lhe ofereceu a chance de continuar vivendo e se não fosse seu medo e paranóia de morrer, nada disso teria acontecido.
Talvez fosse seu destino, sua morte só ocorrera porque soubera dela com antecedência e por esse motivo ficara em casa, esperando sair bem desse estranho ocorrido. Mas uma coisa é certa: quando estamos destinados à trilhar por um caminho, nada nos impedirá de seguir por ele, seja bom ou ruim.
Raphaela estaria viva se não lesse o jornal e seguisse normalmente com sua vida, mas tudo já estava programado para terminar como um... Efeito Kuleshov.
***
Por Leandro Freire
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Eu Querooooooo!!!
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
São Apenas...
Atmosferas sufocantes e ásperas
Letras em lascas, em partes cínicas
As frases jogadas são apenas vítimas
Vazio sem sentido, de poesias rápidas
Rasgando versos simples, de poesias práticas
Agonia vestida em crônica totalmente anônima
Sujeita a atos falhos convertidos em atos cênicos
Sentimentos métricos, praticamente táticos
Entalhes e detalhes básicos, de universo lúdico
Musas inspiradoras ao avesso sádico
Surgindo em linhas de textos apáticos
Escondendo-se em páginas, por entre as vírgulas
Nas beiradas dos dedos de poetas vívidos
Tomando o amor em goles tímidos
Injetando em doses tétricas
Dominando a certeza de um mundo crítico
Onde se encontram as mais belas músicas
Por Leandro Freire
sábado, 6 de dezembro de 2008
Efeito Kuleshov 3 - A Vida Perfeita
É por volta das 8 da noite quando o casal de crianças brinca de jogo da memória com a mãe na sala. A porta se abre e por ela passa um homem belo e moreno, com uma roupa social e uma pasta na mão direita.Na mesma hora as crianças gritam “papai” animadas, levantam-se e o abraçam na altura da cintura. A garotinha pega a mão direita de seu pai e o puxa para perto do jogo no chão.
- Nós estamos brincando de jogo da memória. E eu estou ganhando!
- Isso é muito bom, filha!
O homem acaricia os lisos cabelos da filha e olha para o garoto.
- E você? Está indo bem no jogo?
- Só a mamãe está em último.
Uma boa risada sai da mulher sentada no chão.
- Estou perdendo feio!
O homem dá um beijo em sua esposa e senta-se ao lado dela.
- Mas isso não vai ficar assim por que também vou jogar.
- Aaaaeeewww!!!
É geral a animação na casa. As crianças vibram e embaralham as peças enquanto o homem e sua mulher se olham, sorrindo.
- Pode começar, papai.
A garotinha diz, empolgada.
Depois de passarem um bom tempo brincando com os filhos, o homem e sua esposa encontram-se deitados em sua cama, um acariciando o outro. O homem parece estar bem feliz.
- Todos os dias eu agradeço a Deus por ter me dado essa vida.
- Eu faço o mesmo a cada minuto.
- Você não sabe o quanto é importante pra mim, Amanda.
- Eu sei, sim. Por isso sou tão feliz.
Eles se beijam e sorriem.
- Boa noite.
- Boa noite.
O homem se vira para o outro lado, mas ainda continua de olhos abertos, pensativo. Lágrimas escorrem repentinamente por seu rosto até que não consegue segurar o choro. Amanda o ouve e vira-se preocupada.
- O que houve, Mauro? Por que está chorando?
- Não quero que isso acabe.
- Do que está falando?
- Não sei. Estou tão feliz, tudo está indo tão bem que tenho medo de que um dia isso acabe.
- Não fale assim! Isso nunca vai acabar. Muito pelo contrário: só vai ficar melhor a cada dia. Você não pode...
Mauro não entende o silêncio e olha para Amanda, vendo que ela está desaparecendo aos poucos.
- Não! Não tirem isso de mim!
Tudo à sua volta também começa a desaparecer.
- Não façam isso comigo! Não!
E finalmente tudo some, dando lugar a uma espaçosa sala com apenas uma mesa de aço em seu centro. É nela que Mauro se encontra deitado, chorando ainda mais.
- Por que tiraram isso de mim? Não podem fazer isso!
Do lado de fora da sala, um grupo de homens bem-vestidos assistem ao que se passa lá dentro através de uma comprida janela. Um dos homens veste trajes militares e conversa com um jovem de óculos.
- A experiência foi um sucesso, general! O programa de realidade virtual funciona tão bem que a cobaia realmente interagiu com os personagens, expressando suas emoções de forma natural.
- Isso é ótimo!
- Com mais algumas pesquisas poderemos transformar esse programa em uma nova tecnologia militar. Seria fácil confundir e enganar inimigos dessa forma.
- Simplesmente genial! Então, continue com suas pesquisas.
- Sim, senhor.
O general afasta-se da janela e caminha por um corredor enquanto mais um militar se aproxima.
- Mandou me chamar, senhor?
- Sim. Pegue outro prisioneiro para servir de cobaia para nossos testes.
- Mas esse prisioneiro foi voluntário, senhor.
- Sei disso. Mas dessa vez pegue um na marra. Isso é uma ordem!
- Sim, senhor!
É noite e chove bastante quando o general estaciona seu carro em frente à sua linda casa.
Ele entra e bota suas chaves em uma mesinha no canto da sala.
- Estou em casa!
Sua esposa desce as escadas e o recebe com um beijo.
- Como foi o teste com a nova tecnologia?
- Você sabe que não posso te contar essas coisas. Nem deveria estar sabendo dos testes.
- E teria coragem de esconder algo de sua esposa?
- Não é bem assim que as coisas acontecem, querida.
- Sei disso. Estava apenas te testando.
Os dois riem e se beijam novamente até tudo ao redor começar a sumir lentamente.
- O... O que está havendo?
Sua esposa e o local desaparecem como em um passe de mágica e o general agora se encontra também em uma sala espaçosa e usando um macacão branco.
- O que fizeram comigo? O que fizeram comigo?
Do lado de fora, o sujeito é observado por homens do mais alto escalão, todos de terno e gravata. Um militar se aproxima de um deles.
- Deu tudo certo, Senhor Presidente.
Um homem pode criar as maiores mentiras, mas nunca percebe quando está em uma. Nós sempre buscamos a vida perfeita e nem imaginamos o preço que podemos pagar ao consegui-la.
O suposto general usava prisioneiros como cobaias, brinquedos de um projeto científico e não foi capaz de enxergar a hierarquia que se formara ali. Ele foi a cobaia durante todo o tempo, e cobaia de homens muito mais poderosos. Todo o poder que pensava ter em mãos nunca existiu de verdade.
Mauro poderia ser sim um homem feliz se tudo aquilo não fosse parte de algo muito maior, uma pegadinha mental de proporções gigantescas que culminou em um... Efeito Kuleshov.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
É Outra Imagem

Por Leandro Freire
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Supernova

sábado, 29 de novembro de 2008
Efeito Kuleshov 2 - Estrada 17
- Tenho certeza que já passamos por aqui!
- Não passamos! Você não confia em mim?
- Em você eu confio. É o mapa que não me deixa segura.
- Eu sei que não estamos perdidos.
- Como pode ter tanta certeza?
- Há quanto tempo fazemos isso sem problema algum? E essa estrada é deserta, é tudo igual por aqui. Olhe ali!
Os últimos fios de luz do sol estão se escondendo e o carro passa por uma placa anunciando a “Estrada 17”.
- Viu? Estamos no caminho certo.
- Odeio quando está certo.
- Então não devia ter se casado comigo.
- O que quer dizer com isso?
O homem apenas sorri e pisca seu olho direito, ganhando um belo sorriso de sua mulher.
- Vamos comemorar!
Uma alta música de rock sai do rádio enquanto o homem dança sentado, ao mesmo tempo em que dirige.
- Desliga esse rádio, César! Vai acordar o Bruninho.
César olha para o banco de trás, onde repousa tranquilamente um garotinho loiro com seus olhinhos apertados e suas pequenas e brancas mãos sobre o pescoço.
- Desculpe, só quis animar a viagem.
- A sorte é que ele dorme como uma pedra.
Já é noite quando um homem jovem surge na lateral da estrada, pedindo carona com seu polegar levantado.
- Devemos parar?
- É claro, querida. Devemos sempre ajudar nossos semelhantes, não é?
César pára com o carro no canto da estrada e abre a porta traseira para que o homem entre. Estranho saber que um pai de família confia em alguém que acabara de ver em uma estrada e ainda o permite ficar no banco traseiro com seu filho ao lado.
- Muito obrigado por pararem!
- Qual o seu nome?
- Rogério.
- Muito prazer, Rogério. Essa aqui é a Helena e eu sou César.
- Apenas tome cuidado para não acordar o Bruninho.
- Sem problemas.
O estranho sujeito admira a criança por alguns segundos e depois volta a olhar para os dois da frente.
- Podem me deixar no Cemitério Camélia?
Helena olha para César como se também esperasse uma resposta.
- É claro.
- Obrigado.
O carro finalmente sai do lugar e segue seu caminho enquanto Helena está pensativa até que resolve falar.
- Desculpe perguntar, mas algum parente seu faleceu recentemente?
O estranho parece se incomodar um pouco com a pergunta, mas responde assim mesmo.
- Sim, uma tia minha estava viajando e depois nos ligaram falando que acharam o carro dela em um rio, mas o corpo está desaparecido. Nós fizemos um enterro simbólico.
- Onde ela estava?
- Na casa de uma amiga em Vassouras.
Helena está inquieta. Aquele homem não deveria estar no carro.
Ela olha para trás e vê o estranho observando o garoto dormindo. Por que olhar tanto para ele? Será que quer alguma coisa?
Ainda incomodada, Helena faz mais uma pergunta.
- Está há muito tempo pedindo carona?
- Sim, tive sorte de estarem passando por ali. Foi o primeiro carro que vi durante todo o tempo. Não sei por que a Estrada 17 é tão deserta.
O homem se ajeita no banco e Helena percebe que ele está armado, ficando paralisada de medo, sem nem ter condições para avisar ao seu marido.
Assustada, a mulher abre o porta-luvas e de lá tira papel e caneta. Ela escreve “ele está armado” e mostra disfarçadamente para César, que na mesma hora freia o carro bruscamente.
- O que houve? Por que paramos?
O estranho sujeito já bota a mão na arma.
- Nós sabemos que está armado.
César diz calmamente enquanto Helena olha para ele.
O homem nota que as mãos do garoto não estão mais sobre o pescoço e um grande corte está exposto, ficando desesperado.
- O que fizeram com...
Helena injeta algo no pescoço do homem, que cai inconsciente.
Escuridão total. Espaço apertado. Apenas o silêncio abafado de algo que parece ser o carro freando. O homem sente seu corpo imóvel, suas mãos e pernas estão amarradas e sua boca tapada com uma resistente fita crepe.
A escuridão some quando César abre o porta-malas do carro para pegar uma pá que está atrás do homem. Eles estão em um enorme terreno baldio com várias covas e César está cavando mais uma para botar o corpo do garoto.
O homem consegue ver mais um corpo no local.
- Hmmmm! Hmmmmmm!!!
E é o corpo de sua tia.
- Hmmmmmmm!!! Hmmmmmm!!!
Helena surge na sua frente.
- Não adianta gritar. Ninguém vai te ouvir. Quando falou da sua tia, lembramos da nossa passada em Vassouras naquele dia. Que coincidência, não é?
Ela se aproxima e sussurra em seu ouvido: deveria ter escondido melhor sua arma. Mas olhe pelo lado bom, agora você também vai ganhar um lugarzinho ao lado da tia.
- Hmmmmmmmmm!!!! Hmmmmm! Hmmmmmmmmmmm!!!
***
O que parecia um simples casal disposto a ajudar acabou se revelando como uma dupla de psicopatas que usa a imagem falsa de boas pessoas para atrair mais vítimas.
O estranho que pediu carona poderia ser muito bem o assassino, porém não neste caso onde tudo não passou de um... Efeito Kuleshov.
Por Leandro Freire
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Música Para os Olhos

quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Humor é Coisa Séria - Parte 2

Primeiro post oficial no blog de cara nova! E para iniciar essa nova fase eu lhes apresento a segunda parte do "Humor é Coisa Séria". Dessa vez com algo das antigas: The Fresh Prince of Bel-Air (Um Maluco no Pedaço, como ficou conhecido aqui no Brasil).
A série surgiu em 1990 e foi até 1996, sendo exibida por aqui somente em 2000. Ela narra a história de um jovem rapaz que veio da periferia da Filadélfia para morar na casa dos tios em Bel-Air. É o típico adolescente pobre tentando se adaptar a um ambiente rico, mas tem como fatores de diferença o humor malandro criado por Will Smith (que interpreta um personagem de mesmo nome) e o lado emotivo de tudo (apesar dos engraçados acontecimentos, a família expressa seu carinho e amor diversas vezes).
Um dos ingredientes para o sucesso é a personalidade bem-humorada de Will e seu jeito excêntrico de ser, o que criou um contraste com seu primo Carlton Banks (interpretador por Alfonso Ribeiro), que era totalmente o oposto e mesmo assim conseguiu ser uma das coisas mais engraçadas da série. Mas com o passar do tempo, Carlton também foi mostrando seu lado mais louco e se tornou um show à parte (não podemos esquecer da sua famosa dancinha).
Outro destaque vai para o mordomo Geoffery (Joseph Marcell), que apesar de trabalhar para a família, muitas vezes era a voz da razão e não poupava palavras para muitas vezes zombar de seus patrões.
Com episódios e personagens variados e uma história bem contada através de muito humor e situações cômicas, já era de se esperar que o príncipe de Bel-Air faria muito sucesso.
Algumas frases da série:
Will - Jazz, lembra da mulher que estava comigo aqui?
Jazz - Putz! Tô tentando esquecer.
***
Will - "Entre jovem e saia um adulto"? Quanto tempo vou ficar aqui!?
***
Will - Ele não estava colando, acontece que ele sofre de... Esticadina Cérebro-Espinhal.
***
Carlton - O que o caramujo disse em cima da tartaruga?
Will - Eu não sei, Carlton.
Carlton - Weeeeeeeeeeeee!!! Ha ha ha ha ha!
E essa é a (comprida) abertura:
Por Leandro Freire
Caminhão da Mudança
A partir de hoje falarei sobre política e economia. Calma, é brincadeira! Tudo continuará como sempre foi, mas o visual realmente está diferente... se é que não perceberam.
Só mais uma coisa: agradecimentos ao meu amigo Márwio Câmara que criou o banner aí em cima. E o Márwio também tem blog: http://imprimirpalavras.blogspot.com/
O blog mudou, mas a vida continua. Então... "vâmo que vâmo" que o samba não pode parar!
Por Leandro Freire
sábado, 22 de novembro de 2008
Efeito Kuleshov 1 - Encontro Marcado
Um rapaz, na casa de seus 20 anos, está na frente de um espelho, terminando de se arrumar. Ele passa perfume com um enorme sorriso estampado em seu rosto.- Hoje é o meu dia! Júlio, você se deu bem.
Ele chuta de leve acidentalmente uma caixa de sapatos perto da cama, mas nem liga muito para o ocorrido. Sai do quarto, desce as escadas, bem arrumado, pega o celular e o molho de chaves sobre a mesinha de centro da sala e sai.
Caminha pela calçada movimentada, já com o celular no ouvido, parecendo que acabara de ligar para alguém e está esperando alguma resposta. Ninguém atende. Ele pára no sinal junto com mais algumas pessoas e uma ambulância passa chamando atenção com sua sirene. Na mesma hora Júlio se pergunta o que poderia ter acontecido. O sinal finalmente fecha e todos atravessam para seguir seus caminhos paralelos ou entrarem no shopping, onde o rapaz pára para esperar alguém.
Olha pra um lado, olha para outro e parece não ver nenhum rosto conhecido.
- Ela disse que não costuma se atrasar. Já deveria estar aqui.
Vinte minutos se passam e nenhum sinal da tal pessoa.
- Não acredito! Ela me deu um bolo! Só pode ser isso.
Júlio tenta ligar mais uma vez e novamente ninguém atende.
- Que droga! Vou esperar, ela deve estar com algum problema.
Mais dez minutos e ninguém aparece. Aquela já devia ser a 14ª ligação e o pobre sujeito já está preocupado. Só não sabe se está preocupado com a garota com quem deveria encontrar ou com o fato do encontro não ter acontecido como o esperado.
- Era bom demais para ser verdade. É claro que uma garota linda daquela não ia querer nada comigo. Só vou tentar mais uma vez.
Ele nem teve o trabalho de tirar o celular de seu bolso, pois a preocupação não o deixou guardar novamente e depois da 11ª tentativa aquilo não parecia fazer muito sentido. O número é novamente discado como se o rapaz ainda buscasse a esperança de que discara para o número errado durante todo o tempo, mas seria impossível ligar 14 vezes para outra pessoa sem perceber.
- Atende. Atende, droga!
Em outro lugar, o celular sobre um criado-mudo toca insistentemente, mas não é atendido por ninguém. Ele continua tocando por mais algumas vezes enquanto na cama se encontra uma garota morta sobre o sangue espalhado pelo colchão branco.
Júlio perde a paciência e vai embora, guardando finalmente seu celular no bolso e atravessando a rua sem nem prestar atenção no sinal verde para os carros. Ele chega a casa, decepcionado, e corre para seu quarto já arrancando a roupa e ligando a TV.
- Que droga de vida! Tudo tem que dar errado.
Senta-se na cama com os olhos brilhando, mas só não chora porque parece querer provar a si mesmo que não é homem disso. Mas por que ficar tão triste por aquela garota? O que ela teria de especial? Como se não bastassem essas perguntas ecoando em sua mente, ele jura que já a namorou ou pelo menos teve algo com ela. Sabe que os dois nunca haviam nem se encontrado fora da universidade, mas aquilo persistia em sua cabeça.
Talvez tenha sido isso que o fez acreditar que o encontro seria perfeito, que os dois voltariam tarde da noite para suas casas ou nem voltariam, indo direto para um motel. Ele nunca teve tanta certeza de como um encontro seria bom e estava errado. Ela nem se quer havia aparecido.
Algo na TV chama sua atenção. Uma matéria ao vivo sobre duas pessoas encontradas mortas em um quarto. A polícia suspeita de assassinato seguido de suicídio, mas a arma do crime não fora encontrada. Nesse momento ele arregala os olhos:
A polícia e paramédicos se encontram na casa da garota, ela está morta na cama e logo ao seu lado está Júlio, também morto.
Júlio, agora muito assustado, olha para a caixa que havia chutado acidentalmente e se aproxima com medo, abre e encontra uma arma. Ele mal consegue acreditar no que está vendo.
***
Poderiam imaginar que a garota foi morta por outra pessoa e por isso não foi ao encontro, porém tudo era muito mais complexo e não passou de um... Efeito Kuleshov.
Por Leandro Freire
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Skola
Com todas essas opções para encher o copo, parece que só proibindo a venda mesmo. Isso já anda acontecendo dentro das instituições de ensino, o que já evita o contato de crianças e adolescentes com a loira gelada ou seja lá qual for a cor. Mas do lado de fora as coisas não são bem assim: passando do portão e pisando na calçada, as possibilidades de encontro com o álcool são altíssimas.
Está na hora de gritar "CARETAAAAAAAAAAA!!!" e sair do blog ou... Continue lendo, eu agradeço.
Se chegou até aqui, vamos continuar:
[...] as possibilidades de encontro com o álcool são altíssimas e aí voltamos ao início do post, falando dos bares, lanchonetes e pastelarias "do china" que existem pelas redondezas.
Ano passado (2007, pra quem está perdido no tempo de tanto beber) foi feita uma pesquisa pela Secretaria Nacional Antidrogas para saber o número de jovens que frequentam os bares. O resultado mostrou que adolescentes entre 14 e 17 anos já consumiram bebidas alcólicas em excesso, sendo que 21% é do sexo masculino e 11% do sexo feminino.
E nesse momento eu me pergunto: será que postei isso só porque eu não bebo?
Por Leandro Freire
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
LEGal!

Mais uma dica do mundo virtual: o site The Toy Zone recriou as capas dos 20 discos mais famosos usando LEGO.
Uma coisa temos que confessar: idéias tão originais quanto essa só surgem durante a famosa "falta do que fazer". Na hora pode parecer um absurdo, mas que depois ver o resultado vale a pena... Aaah vale!
O link está aí para quem quizer conferir: http://www.thetoyzone.com/20-album-covers-recreated-in-lego/
E a versão original da capa está aí embaixo (com direito a essa moldura branca que não consegui tirar):

Por Leandro Freire
sábado, 15 de novembro de 2008
Vem aí: Efeito Kuleshov
Maroon 5... 4... 3... 2... 1... Aaaeeww!!!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Para Sempre Serão Dois
Cem com mil vidas na mão
Era assim
E as ruas municipais
Lotadas de causas e ideais
Era, sim
Mas no meio dessa confusão
Havia espaço para o coração
Eram dois
Entre beijos a trocar
E promessas de fugir
Os olhares se encontraram
As mãos se tocaram
Era o amor nascendo ali
Estilhaços comandavam
As armas cantavam
Mas era o amor nascendo ali
Os corvos vieram de longe
Com honrarias e medalhas no peito
Jogaram a bomba
E voaram pro horizonte
Uma indiferença desse jeito
Lágrimas correram pelo rosto
Os corações dispararam
Olharam um para o outro
E finalmente se abraçaram
Ele, agora um soldado
Ela queria ter acordado
Mas tudo era real
Tudo era concreto
Nada era abstrato
Ali os nós se desataram
Os olhares se afastaram
As mãos não mais se tocaram
Menina, olhe para frente
Tudo será diferente
Aprenda a se libertar
A não mais chorar
Pegue suas asas
E aprenda a voar
O amor era pesado
Parecia amor de infância
E o tempo corria pelas veias
Lembrando da distância
Palavras românticas iam e vinham
Embrulhadas em papéis
Acompanhadas por versos singelos
E seus desejos fiéis
Como uma carta encoraja a mente
Escreviam um para o outro
O que não diziam pessoalmente:
A carta encoraja a alma
Encoraja a mim e a você
Escrevo nessas linhas
O que não consigo dizer
A garota lia
Com a emoção que a invadia
Pintando seus rostos
No branco de uma tela
Enquanto a mente dele exigia
Se lembrar do rosto dela
Poemas surgiam de seu coração
E de seu violão
Arrancava uma canção
Usava um tom
Ousava o tom
E voltava ao som clichê
Voltava ao tom
Ousava o som
Gritando “essa aqui é pra você!”
Ela agora lia
Coberta de alegria
Não era só uma carta
Era pura poesia
Mas acabaram as promessas
E as declarações
O garoto se encontrava
Entre tiros e explosões
Entre bombas e minas da terra
Entre gritos e ruídos de guerra
A aflição dominava
Controlava os espectadores
Que oravam pelos soldados
E por eles sentiam as dores
Para onde foi a magia?
Cadê aquela alegria?
Tudo havia acabado
A garota perde o seu amado
E é o fim do último ato
Os corvos voltaram
Com a mesma indiferença daquele jeito
Ainda jogaram bombas
E as medalhas continuaram no peito
Hoje a garota está cansada
Senhora bela e solitária
E o que passou será lembrado
É valioso o seu passado
Mas o coração não desiste
O antigo amor persiste
Ainda existe e existirá depois
A senhora está sozinha
Mas para sempre serão dois
Por Leandro Freire
Qual a Sua Realidade?

Por Leandro Freire
sábado, 6 de setembro de 2008
Humor é Coisa Séria - Parte 1

Aaah, o humor. O que seríamos sem ele?
Para entrar ainda mais nesse assunto que começou aí embaixo, vamos dar uma olhada na série que está aí em cima.
Two and a Half Men (Dois Homens e Meio) é uma cultuada sitcon americana que conta a história de Charlie Harper (Charlie Sheen), um boa-vida que vê seu paraíso arruinado quando seu irmão Alan (Jon Cryer) vai morar em sua casa depois de um divórcio e ainda leva seu filho de 10 anos, Jake (Angus T. Jones).
A série é transbordada de sarcasmo e ironia, além de tiradas repentinas (sejam inteligentes ou só debochadas) como "o pacote básico da TV à cabo? Mas isso é o que assistem na prisão" ou "o espetinho de carne vai durar mais do que as meias".
Talvez a fórmula para seu enorme sucesso seja exatamente o tipo de humor aplicado, as alfinetadas no casamento, as referências ao sexo da maneira mais engraçada possível e as críticas muitas vezes implícitas, além de algumas doses de autodepreciação por parte de Alan, que é um dos pontos fortes do programa. Enfim... Vejam sem compromisso, apenas por pura diversão e amor ao seu bom humor.
Um diálogo que eu adoro:
Charlie- É claro que pode, eu vou te ajudar.
Alan- Como?
Charlie- Sei lá, dizendo coisas como "é claro que pode, eu vou te ajudar."
Outro:
Charlie- Não quero mais isso, Alan. Eu desisto!
Alan- Não se desiste da pobreza.
Charlie- Eu quero um queijo que não seja distribuído em países do terceiro mundo, um papel higiênico indolor e uma vodka que não pareça com a do Fred Flinstone
Alan- Está na hora de deixar o orgulho de lado e pedir dinheiro à nossa mãe.
Charlie- Yabba-dabba-doo!
Contemplem a abertura da série com essa viciante musiquinha:
Por Leandro Freire
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
rss, hehehe, kkk

Não, o post não é sobre risadas mas o que as provocam. De acordo com o livro A Psicologia do Humor, existem quatro maneiras diferentes de fazer aquela boa e velha gargalhada surgir na atmosfera:
Humor corrosivo - É o que usa críticas e provocações através do sarcasmo.
Agregador - São as tiradas que surgem de repente para quebrar uma tensão e estimula a convivência social.
Autodepreciativo - Utiliza os próprios defeitos para a diversão alheia.
Otimista - Enxerga as coisas boas da vida e tapa os olhos para os problemas cotidianos, rindo dos mesmos.
E aí? Qual o seu tipo de humor? Na verdade cada um tem um pouco de todos, mas acho que eu tenho uma forte tendência a ir para o lado do humor agregador.
Por Leandro Freire
Obs: algumas informações foram extraídas do "Cantinho do Jota" .
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Um Beijing Pro Meu Pai, Minha Mãe e Especialmente Pra Você
Caramba, faz tempo que não passo por aqui. O que tenho feito, afinal?Bom... Isso não vem ao caso no momento.
E já que acabamos de sair de uma Olimpíada e dessa confusão de nomes "Pequim/Beijing", não há coisa melhor do que falar um pouco mais desse grandioso e belo evento. Mesmo que a cerimônia de abertura não tenha sido lá muito sincera conosco, vale dar uma volta (olímpica) pelas Olimpíadas passadas, conferir a atual na China e tentar encontrar juntos um motivo para essa.. anh... colocação brasileria no quadro de medalhas (51 de ouro da China contra 3 do Brasil, será que vão perceber a diferença?).
Só uma pequena observação: antes que alguém pergunte se o título desse post tem algo a ver com aquela frase clichê dita em todos os programas da Xuxa, eu já respondo "não". É apenas uma maneira (minha) de dizer que as Olimpíadas são para todos e... Ah! Vamos ao que interessa!
Olimpíadas Passadas
01- 1896 (Antenas)
02- 1900 (Paris)
03- 1904 (Saint Louis)
04- 1908 (Londres)
05- 1912 (Estocolmo)
06- 1920 (Antuérpia)
07- 1924 (Paris)
08- 1928 (Amsterdã)
09- 1932 (Los Angeles)
10- 1936 (Berlim)
11- 1948 (Londres)
12- 1952 (Helsinque)
13- 1956 (Melbourne)
14- 1960 (Roma)
15- 1964 (Tóquio)
16- 1968 (México)
17- 1972 (Munique)
18- 1976 (Montreal)
19- 1980 (Moscou)
20- 1984 (Los Angeles)
21- 1988 (Seul)
22- 1992 (Barcelona)
23- 1996 (Atlanta)
24- 2000 (Sydney)
25- 2004 (Atenas)
26- 2008 (Chegamos em Beijing!)
Agora é a Atual
Estamos finalmente na China, país da superpopulação e do espetinho de escorpião. País da Grande Muralha, do Mar Amarelo, dos ursos pandas e seus deliciosos bambus. País da Dinastia Shyng e dos Dez Reinos Myng (tá, isso eu inventei). É por essas bandas que aconteceu a atual Olimpíada, que foi dominada pelos conterrâneos, seguidos pelos (adivinha) americanos.
quinta-feira, 17 de julho de 2008
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Um Minuto de Silêncio Para Sete Meses de Alegria

Esse post deveria estar aqui já há um bom tempo, mas sempre ia adiando e a internet não ajudou muito.
No dia 10 de Julho a Rede Globo exibiu uma homenagem ao saudoso grupo Mamonas Assassinas no programa Por Toda Minha Vida. Após a exibição pensei "tenho que fazer um post sobre eles".
Tudo começou com Sérgio Reoli e Bento Hinoto em 1989 e logo após vieram Samuel Reoli (irmão de Sérgio) e Júlio Rasec. Os quatro formaram o grupo Utopia, fazendo covers de bandas como Legião Urbana.
Em um dos shows, o público pediu uma música dos Guns N'Roses, mas não sabiam a letra e pediram a ajuda de algum voluntário. Dinho foi esse voluntário e subiu ao palco, conquistando a todos com seu jeito palhaço, sendo aceito até pelo grupo.
A Utopia passou a se apresentar nas periferias de São Paulo e lançaram um CD, tendo menos de 100 cópias vendidas.
Com o tempo os cinco perceberam que as músicas escrachadas e as palhaçadas eram bem mais aceitas pelo público. Começaram o processo de mudança do perfil da banda e o nome foi o primeiro ítem, passando a se chamar Mamonas Assassinas (a palavra "mamonas" é uma referência a "seios", tendo assim a tradução para inglês como The Big Killer Breasts, peitões assassinos).
Pelados em Santos e Robocop Gay eram as músicas inseridas na fita demo que mandaram para várias gravadoras, mas foi o diretor artístico da EMI, João Augusto Soares que assinou o contrato com a banda depois da insistência de seu filho Rafael. O sucesso foi estrondoso e logo no seu primeiro CD conseguiram vender mais de 2,3 milhões de cópias.
Após seu lançamento, os cinco saíram em uma grande turnê pelo país, apresentando-se em 25 dos 27 estados brasileiros. Ainda pretendiam seguir uma carreira internacional viajando para Portugal no dia 3 de março de 1996, mas um dia antes, enquanto voltavam de um show em Brasília, a aeronave em que estavam chocou-se contra a Serra da Cantareira, em São Paulo, às 23:16, matando todos os integrantes do grupo, além do piloto, co-piloto e dois assistentes da banda.
O humor musical e a irreverência poética fizeram dos Mamonas um dos grupos mais queridos do Brasil e em suas curtas carreiras de apenas sete meses, conseguiram nomear os sorrisos que se estampavam no rosto dos fãs enquanto escutavam a cada minuto que se passava de suas canções. A alegria tem nome e se chama Mamonas Assassinas.
Dinho no vocal
Júlio Rasec no teclado
Samuel Reoli no baixo
Sérgio Reoli na bateria
Bento Hinoto na guitarra
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Fantasia Falida
Acabei de fazer esse texto e resolvi postar aqui para aproveitar o assunto do post anterior:
Conto mal feito, distorcido, impossível de ser lido.
Linha torta e pouco espaço pra mostrar o que faz sentido.
Texto simples, reescrito, abrindo nossa mente.
Atingindo e resumindo minha história incopetente.
Vivi, expressei, amei, inventei a poesia.
Exagerei e decepcionei minha auto-biografia.
Fantasiei, sonhei e imaginei de olhos abertos.
Invadi e misturei abstratos e concretos.
Dormi e relaxei sem perceber o que passava.
Acordei e superei as armadilhas da palavra.
São versos recitados das idéias que não tenho.
São reis derrotados da origem de onde venho.
Teorias recriadas da farsa e a humilhação.
As bruxas são caçadas e as fadas, em extinção.
Segredos e sigilos são mentiras que eu abrigo.
Beijos e conflitos são verdades que eu ganho.
Escrevi sem cuidado sobre o dom do livre arbítrio.
Ouça bem aos que lhe dizem: sua vida é um livro estranho.
Feito de imagens e alegorias, de herói falso e vagabundo.
Uso tristezas e alegrias para rabiscar um novo mundo.
Mundo incompleto e inconsciente de sua própria existência.
A fantasia era da gente, mas declarou sua falência.
Por Leandro Freire







.jpg)